Pesada é a bagagem do viajante
que vai do não existir ao existir
e do existir ao não existir
Enquanto me dura essa viagem
que outros me doaram como herança
e à força de tanto vivê-la
fiz minha
de bom grado me desembaraçaria
de tanta coisa que levo
e me curva os ombros
Para que a vida me fosse leve
tão leve que pudesse voar
como um papagaio
de pronto me desembaraçaria
do lastro de lágrimas
que me torna escorregadio o piso
ou do cantil de fel
que se mistura à águia que sedento
bebo
De bom grado me desembaraçaria
dos amores perdidos
das más recordações
e principalmente
das culpas
que tive
e me fazem arrastar os pés
como pesadas grilhetas
Acontecesse porém o que acontecesse
não me separaria nunca
dum pequeno talismã
que me ofereceram e eu aprendi
não sem amargura:
“A imperfeição das coisas
é o espelho do sonho
e nele é quase perfeita a face do que amamos.
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Pesada é a bagagem do viajante que vai do não existir ao existir e do existir ao não existir Enquanto me dura essa viagem que outros me doaram como herança ...
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