Congo…
Ho, Congo…
Congo, tu, filha antiga de África.
Quem te disse que não podes ser linda?
Que não podes vestir-te de luz,
pintar o rosto de esperança,
calçar saltos que elevem a tua dignidade,
e pôr cílios longos como asas
para voares acima da dor?
Quem te disse que não podes ser bela,
que o teu destino é só guerra?
Quem foi… quem ousou dizer-te isso?
Congo…
Ho, Congo, minha irmã antiga.
Por que continuas tu a beber do mesmo copo que teus inimigos?
Por que te sentas à mesa
com aqueles que dilaceram os teus filhos?
Por que partilhas o teu leito
com quem te envergonha e te escarnece?
Ho, tu, filha de África.
Levanta-te, minha irmã.
Cinge os teus lombos com panos novos,
adornada de missangas de Bessa Ngana.
E não poupes o óleo perfumado:
borrifa-o nos tornozelos,
pois amanhã haverá conselho
entre as filhas subsaarianas de África.
Juro-te eu: carne não comerei,
vinho não beberei,
em memória do Reino do Ndongo,
até que sejas feliz
e teus filhos livres.
Amanhã, antes do sol nascer, chamaremos Ngola.
À volta da fogueira no jango,
perante nossas irmãs,
eu perguntarei — e Ngola responderá:
Que ousadia é esta que chamas “Corredor do Lobito”,
que expropria os bens de nossa irmã
enquanto seus filhos choram por pão?
Que negócio é este que despe nossa irmã
enquanto seus filhos perambulam pela Europa
atrás de asilo?
Que plano é este que atravessa o seu território
e empobrece Congo?
Responde, ho Ngola.
Está a tua mão coberta do sangue
dos filhos de nossa irmã?
Comes tu da desgraça daquela
que saiu do ventre da nossa mãe?
Que ousadia é esta que chamas “Corredor do Lobito”?
Responde, ho Ngola.
Diz algo para Congo.
Ho, Congo…
Congo, tu, filha antiga de África.
Quem te disse que não podes ser linda?
Que não podes vestir-te de luz,
pintar o rosto de esperança,
calçar saltos que elevem a tua dignidade,
e pôr cílios longos como asas
para voares acima da dor?
Quem te disse que não podes ser bela,
que o teu destino é só guerra?
Quem foi… quem ousou dizer-te isso?
Por acaso foi Ngola.
Congo… Ho, Congo… Congo, tu, filha antiga de África. Quem te disse que não podes ser linda? Que não podes vestir-te de luz, pintar o rosto de esperança, calçar saltos que elevem a...
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