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ARTIGOS

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Burna Boy faz história no primeiro halftime show de uma final do Mundial

Fonte Lea.co.ao Data 2026-07-20 01:56:14

O cantor nigeriano torna‑se o primeiro artista africano a actuar no intervalo de uma final da FIFA, num espetáculo que muda para sempre o futebol e a música global

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Radiohead regressam aos palcos após sete anos — mas enfrentam apelos ao boicote

Fonte Lea.co.ao Data 2025-09-03 19:42:57

Banda britânica anuncia digressão europeia para o inverno de 2025, enquanto activistas pró-Palestina exigem distanciamento de actuações em Israel

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“Quando começamos o Volume X ainda não tínhamos cabelos brancos e usávamos ele longo ” - Luis Fernandes.

Fonte Lea.co.ao Data 2018-11-12 11:30:46

O ser humano se compadece com o altruísmo muito facilmente e o Volume X tem sido isto quando o assunto é apoiar o rock nacional. Desde 1995 que Luis Fernandes, Henda Slash Lenine e Mauro Rocker têm rodado o primeiro e mais sonante programa de rádio de rock na frequência 96.5 em FM e para o mundo na internet de segunda a sábado.

Quem está na lea.co.ao

 Dionísio Rocha 0

Dionísio Rocha, nascido em 26 de agosto de 1945, em Benguela, Angola, é um dos nomes mais representativos da música angolana. Filho de Raul Nogueira da Rocha, um tocador de bandolim, e de Isabel Viana da Conceição Rocha, Dionísio trouxe consigo, desde jovem, a rica bagagem musical de sua terra natal. Chegou a Luanda em 1957, com apenas 12 anos, carregando a nostalgia e a paixão por canções tradicionais da região de Benguela.

Durante os anos 50, Luanda vivia um período de tensão, com perseguições políticas intensas, levando muitos nacionalistas a se refugiarem em Benguela. Ali, Dionísio foi exposto a encontros culturais e artísticos promovidos por figuras como Moisés Mulambo, Cú de Palha, Paulo Augusto e Pedrito, o famoso tocador de bandolim. Essas personalidades, junto com o irmão de Liceu Vieira Dias, Ti Papo, eram parte de associações artísticas que celebravam o cancioneiro luandense, influenciando profundamente a sensibilidade musical e poética de Dionísio Rocha.

Ao se mudar para Luanda, Dionísio frequentou farras e encontros musicais no Bairro Operário, onde figuras como Domingos Van-Dúnen, um dos fundadores do
Ngola Ritmos, cultivavam o ambiente cultural. Nos bairros Marçal e Operário, Dionísio encontrou um terreno fértil para desenvolver suas habilidades musicais e explorar seu talento interpretativo. Essa jornada levou-o a integrar o grupo Botafogo, um espaço dedicado à música, teatro, dança e poesia, onde Dionísio passou a se envolver com a cena cultural angolana. Em suas palavras, o Botafogo representou "uma escola" e um verdadeiro despertar de sua consciência artística.

Sua evolução musical atingiu um novo patamar ao se juntar aos Negoleiros do Ritmo, grupo inspirado pelo pioneiro Ngola Ritmos e criado por Luís Montez. Ao lado de músicos como Joãozinho Morgado, Almerindo Cruz, Zé Fininho e José Massano Júnior, Dionísio deu corpo a uma nova fase da música angolana. Ele contribuiu com sua voz para a identidade do grupo, que se tornou famoso tanto em bailes da elite quanto nas comunidades dos musseques, e marcou época ao representar a cultura angolana em um contexto de afirmação e resistência cultural.

Em 1959, Dionísio Rocha assumiu o papel de vocalista principal dos Negoleiros do Ritmo, preenchendo o espaço deixado por Almerindo Cruz. Nos anos seguintes, ele participou ativamente do grupo, contribuindo para a autenticidade e o vigor da música angolana, com um repertório que dialogava com as tradições e o cotidiano de Luanda. Entre os membros do grupo, destacavam-se também Damião de Jesus, que revisava as letras em kimbundu e mais tarde assumiu os tambores, substituindo Massano Júnior, que saiu para formar o famoso conjunto África Show.

A trajetória de Dionísio Rocha nos
Negoleiros do Ritmo foi essencial para o desenvolvimento da música popular angolana. Suas interpretações e performances tornaram-se um símbolo da expressão cultural de Angola e deixaram um legado duradouro na música do país. Dionísio não só celebrou a música angolana como também contribuiu para sua preservação e difusão, mantendo vivas as tradições e a identidade cultural que herdou desde sua infância em Benguela.

Dionísio Rocha
 Abel Duere 0

Abel Duerê é um músico, cantor e compositor angolano, nascido em Benguela, a 19 de outubro de 1959. Radicado no Brasil há várias décadas, tornou-se uma das vozes angolanas mais ativas na divulgação da cultura do seu país no exterior, conciliando a música com projetos sociais e culturais.

Natural de Benguela, estudou no Liceu de Benguela e viveu a infância e parte da juventude na cidade. Em consequência do conflito que antecedeu a independência de Angola, permaneceu com os pais em Benguela até 1975. Com o agravamento da situação, a família deixou a cidade numa embarcação de pesca que transportava cerca de mil pessoas, conseguindo chegar a Luanda. Pouco tempo depois, mudou-se para Portugal, onde viveu até 1978, ano em que se estabeleceu no Brasil.

Já no Brasil, trabalhou inicialmente no comércio, mas nunca abandonou a música. Começou a cantar em espaços noturnos do Rio de Janeiro, interpretando temas inspirados nas suas origens e nas tradições musicais de Benguela. Ao longo dos anos, desenvolveu um estilo próprio, marcado pela fusão de ritmos angolanos com influências brasileiras e de outros géneros da World Music, incorporando elementos de semba, kilapanga, reggae, afro e sonoridades celtas.

Entre as suas composições mais conhecidas destacam-se Kimbele, Madalena, Mbemba, Ombaka e Galera. O artista afirma ter sido um dos pioneiros na introdução de sonoridades pop e reggae na música angolana contemporânea, mantendo sempre as suas raízes culturais como principal referência.

Durante a carreira lançou diversos projetos musicais, entre os quais os álbuns Meu Semba, Teu Samba e Sons de Ombaka, bem como o DVD Meu Brasil Africano. Em 2008, participou na digressão Afro Celtic, reforçando o caráter multicultural da sua música.

Ao longo do seu percurso, Abel Duerê partilhou o palco e colaborou com vários músicos. Manteve uma relação de amizade e trabalho com Pop Show, a quem considerava um dos maiores guitarristas do seu género. Foi também através do grupo Afra Sound Star que gravou alguns dos seus trabalhos, incluindo a canção Kimbele, um dos maiores sucessos da sua carreira.

Além da atividade artística, sempre demonstrou um forte compromisso social. No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, criou um projeto dedicado ao ensino da percussão para crianças e adolescentes, oferecendo formação musical teórica e prática. A iniciativa deu origem a uma orquestra de percussão e proporcionou oportunidades de aprendizagem a dezenas de jovens, muitos deles filhos de angolanos residentes no Brasil.

Em 2013, participou no Carnaval brasileiro com um trio elétrico, realizando uma atuação de cerca de seis horas perante milhões de pessoas. A experiência reforçou a sua vontade de levar a música angolana a um público cada vez mais amplo e de envolver outros artistas angolanos na divulgação da cultura nacional durante as festividades.

Vivendo entre Angola, Portugal e Brasil ao longo da vida, Abel Duerê considera-se um cidadão do mundo, mas afirma nunca ter perdido a ligação às suas origens. Em 1992, regressou a Benguela pela primeira vez desde a infância, reencontrando lugares e memórias que marcaram profundamente a sua identidade.

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Abel Duerê consolidou-se como um dos artistas angolanos que mais contribuiu para aproximar as culturas de Angola e do Brasil. Através da música, da valorização das suas raízes e do trabalho social que desenvolve, continua a promover a cultura angolana além-fronteiras, preservando uma carreira construída com autenticidade e compromisso.

Abel Duere
 David Mestre 0

Luís Filipe Guimarães da Mota Veiga, conhecido pelo pseudónimo David Mestre, nasceu a 3 de agosto de 1948, em Loures, Portugal, e faleceu a 11 de junho de 1997, em Almada, Portugal, vítima de um acidente vascular cerebral, aos 49 anos. Poeta, jornalista e crítico literário luso-angolano, David Mestre é considerado uma das grandes vozes da poesia angolana, com uma obra marcada por profunda sensibilidade, reflexões sobre a condição humana e a identidade cultural.

Aos oito meses de idade, mudou-se com a família para Angola, onde passou a maior parte da sua vida e mais tarde se nacionalizou angolano. A sua ligação com Angola foi fundamental para a sua trajetória literária, consolidando-o como uma figura central no movimento literário angolano moderno. A sua escrita combina inovação poética com temas universais, refletindo tanto as vivências do contexto angolano como questões humanas mais amplas.

David Mestre destacou-se não só como poeta, mas também como jornalista e crítico literário, colaborando em diversos jornais e revistas de Angola, Portugal e outros países. Foi diretor do Jornal de Angola até 1992 e coordenou as páginas literárias «Forma» do jornal A Palavra. Em 1971, fundou e dirigiu o grupo «Poesias – Hoje», que desempenhou um papel importante na promoção da poesia e na formação de jovens escritores. Foi também membro da Associação Internacional de Críticos Literários e da União dos Escritores de Angola, reforçando o seu impacto no cenário cultural.

Entre as suas principais obras estão Kir-Nan (1967), Crónica do Ghetto (1973), Dizer País (1975), Do Canto à Idade (1977) e Nas Barbas do Bando (1985). A sua poesia, traduzida para várias línguas, é reconhecida pela originalidade e pela capacidade de abordar temas profundos com uma linguagem acessível e inovadora. Como assessor do presidente José Eduardo dos Santos, também contribuiu para a vida cultural e política de Angola.

Faleceu em 1997, no Hospital Garcia de Horta, em Almada, Portugal, mas o seu legado perdura na literatura lusófona. A sua obra continua a inspirar leitores, estudiosos e novas gerações de escritores, sendo sinónimo de excelência literária e de um compromisso inabalável com a arte e a cultura angolana.

David Mestre

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