Durante anos, estive presa num cativeiro mental,
Desorientada só observando a história universal.
Presa na académica concepção de história inversa,
Estudando o que menospreza e diminui a minha raça.
Decidi não aceitar e fui saber quem era de verdade,
Descobri que África não é o berço, mas, sim a mãe da humanidade.
E que eu descendo de guerreiros africanos,
Que morreram lutando para a nossa libertação,
Carrego o sangue dos ancestrais.
Que preferiram morrer a passar humilhação.
Agora trago a verdade histórica, e não aquela que te foi incutida,
Sou guiada pelos ancestrais e por eles sou instruída.
Sou mukongo de raíz, conheço bem a minha cultura,
Não sofro de crise de identidade, sou Ginga, sou rainha e com postura.
Filha de reis e rainhas nessa África histórica,
Os factos credíves provam as descobertas arqueológicas.
Eu sou a África e simbolizo o povo negro,
Sou a fonte do conhecimento, distorcida pelo grego.
Como os griotes milenares, sou mestre da narrativa,
Anciã entre os mestres, sou a profetiza.
Guardiã dos pergaminhos do conheimento,
A voz da oralidade ao longo do tempo.
Eu sou história, aquela que não conheceste,
Curandeira que traz a cura para estancar a peste.
Rainha da minha gente, sou umoja africanista,
Sou ubuntu filosofia sankofa regressista.
Negritude soberana, determinada kimpa vita,
Sou nzinga sou mandume no ritmo de luta.
Sou a raiz forte que sustenta o imbondeiro,
O grito das almas negras naquele navio negreiro.
Como a pureza da natureza que faz a prórpria regra,
O sol que traz a vida e fortifica a pele negra.
A cara trancada simboliza a revolta pelas vidas tiradas ao meu povo,
África acorda, renasça e seja um homem novo.
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