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Outro Homem Matava Minha Fome

Várias foram as vezes que saíste
E abandonaste-me sozinha
No leito da amargura com secura!
Do teu corpo sentia saudades
Por isso, em silêncio implorava!
Mas chegou um momento que cansei.
E, agora, enganas-te ao dizer que beijos e abraços
Eram escassos em casa, porque,
Enquanto te lambuzavas com os petiscos da rua,
Aqui em casa, outro homem minha fome matava!

Apesar da dor que, a princípio, em mim causavas,
Não deixei de cumprir com os meus supostos deveres de mulher
E sempre que chegavas tarde a casa
Encontravas a mesa posta, cama feita.
Chegavas saciado dos vícios da rua
E nem te percebeste que outro homem viu meu cabelo molhado,
Não percebeste que outro homem viu minha lingerie vermelha
Porque quando chegavas, cansado e saciado de prazer,
Tu, coitado, dormias de lado!

Foste covarde por viveres por prazer
Foste covarde por entregares-te à má vida
Me abandonaste em casa, mas não fiquei perdida
Tive direito a remos, entradas e saídas
Tive direito a colo e até transacções invasivas

E se levaste a minha coisa p’ra usar na rua
Confesso que não me senti ofendida
Porque se o teu carma era ver mulher nua,
Se a tua sina era comer carne crua,
Outro homem comia carne bem cozida!
Fui bem consumida e não me sinto, em nada, arrependida!

Por isso, digo que a culpa também é minha!
Não foste o único a trocar o nosso amor por uma aventura
Também te traí!
Esta é a verdade crua e nua
E, se não mais me quiseres, podes ir, homem!
Porque outro homem tem matado a minha fome!

Na tua ausência demorada,
O meu corpo de mulher foi docemente tocado.
Foi amavelmente desejado e acariciado.
Foi fogosamente levado ao zénite do prazer.
Tudo porque para ti “a rua estava doce”
Então o que querias que eu fizesse?

Enquanto em outros seios te deliciavas
Enquanto de outros beijos te apropriavas
Os meus seios, tesos, foram severamente mordiscados,
Com gosto e com sedução foram apalpados!
E como podes afirmar que os tinhas como troféu?
Como podes afirmar que os embrulhavas num museu?

Dormiste em outras camas
Com outras damas
E nem te importaste com que em mim doía
Assinaste pacto com a rua
Tremenda covardia!

Se tu és homem
Eu sou mulher
Dou-te a moeda
E nem adianta procurar culpados

Se tu és CARA…
Eu sou COROA

Se em mim doeu
Pouco importa que te doa
Porque enquanto te perdias comendo carne crua
Amei outro homem!
Enquanto te perdias vendo mulher nua
Outro homem matava a minha fome!

Por isso, digo que a culpa também é minha!
Não foste o único a trocar o nosso amor por uma aventura
Também te traí!
Esta é a verdade nua e crua
E se não mais me quiseres podes ir, homem!
Porque outro homem matou a minha fome!


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