Muitos países africanos procuram permanecer neutros no conflito Rússia-Ucrânia para dar uma chance à diplomacia e se concentrar em seu próprio futuro econômico e político em um mundo que passa por mudanças radicais, disseram líderes do continente em uma conferência nos Emirados Árabes Unidos na quarta-feira.
Os EUA e seus aliados têm pressionado outros países a aderirem à sua campanha de sanções contra a Rússia, tendo argumentado anteriormente – em relação à Ucrânia – que as nações soberanas têm o direito de escolher livremente suas alianças, sem serem “intimidadas” por outras.
“Nós nos abstivemos porque queremos que o mundo dê uma chance à diplomacia”, disse o vice-presidente Philip Mpango, da Tanzânia, na Cúpula Mundial do Governo em Dubai, segundo o The National, um diário de Abu Dhabi.
Mpango estava se referindo ao voto de seu governo na Assembleia Geral da ONU em 2 de março. A resolução não vinculativa pedindo a retirada da Rússia da Ucrânia foi endossada por 141 membros da ONU, com cinco votos contra e 35 abstenções – incluindo 17 países africanos.
Mpango disse que o continente africano está passando por um “momento importante” e vendo “uma transformação das rotas comerciais das coloniais estabelecidas para a África fazendo mais negócios com o mundo oriental”. Esta é uma oportunidade para o continente progredir, diversificando sua cultura e usando a tecnologia para interagir melhor com o mundo, acrescentou.
“Estamos testemunhando o deslocamento das placas tectônicas, particularmente com a ascensão da China e da Índia no cenário econômico global”, disse Mpango.