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Luís Represas: um artista que navegou 50 anos sem perder o norte

Luís Represas: um artista que navegou 50 anos sem perder o norte

Lea.co.ao | 2026-07-23 00:51:17 | Arte & Cultura | 32
Músico português, fundador dos Trovante e figura marcante da música popular, morre aos 69 anos deixando uma obra que atravessa gerações

Luís Represas, um dos nomes mais reconhecidos da música portuguesa, morreu esta quarta‑feira aos 69 anos. A notícia, divulgada pela agência Lusa, serve de referência para este artigo e recorda um artista que, ao longo de cinco décadas, construiu uma identidade musical única — aquilo que ele próprio chamava a sua “impressão digital”.

Em entrevistas recentes à Lusa, Represas explicava que nunca quis “divorciar‑se do passado”, mas que precisou de encontrar “a distância certa” para continuar a evoluir sem perder o rumo. Essa busca acompanhou toda a sua carreira, desde os primeiros passos com os Trovante, fundados em 1976, até ao percurso a solo iniciado em 1993.

Nascido em Lisboa em 1956, Represas entrou para a história da música portuguesa ao lado de João Gil, Manuel Faria, Artur Costa e João Represas, com quem lançou o álbum de estreia “Chão Nosso” em 1977. O disco marcou a identidade do grupo, misturando música popular, tradição e influências do rock. Os Trovante permaneceram ativos até aos anos 1990, regressando ocasionalmente para concertos especiais — o mais recente em março deste ano, com salas esgotadas em Lisboa e no Porto.

Em 1993, Represas lançou o álbum “Represas”, gravado em Cuba e marcado por colaborações com músicos como Pablo Milanés. Canções como “Fora de Tempo”, “Neva sobre a marginal” e “Feiticeira” tornaram‑se parte essencial do seu repertório. “Foi um reencontro comigo próprio”, disse à Lusa em março, quando anunciou dois concertos comemorativos dos 50 anos de carreira, previstos para abril de 2027.

A sua discografia inclui álbuns como “Cumplicidades” (1996), “A hora do lobo” (1998), “Código Verde” (2000), “Reserva Especial” (2001), “Fora de Mão” (2003), “Olhos nos olhos” (2008), “Cores” (2014), “Boa hora” (2018) — distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores — e “Miragem” (2024). Editou ainda vários discos ao vivo e projetos conjuntos, incluindo um álbum com João Gil em 2011.

Represas colaborou com alguns dos maiores nomes da música lusófona e internacional: Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, entre muitos outros.

Além da música, aventurou‑se na restauração, liderou a gestão de um bar‑restaurante em Lisboa, escreveu o livro infantil “A coragem de Tição” e apresentou o programa televisivo “Língua Mãe”.

O seu percurso inclui também um forte envolvimento com a causa de Timor‑Leste. Acompanhou o Presidente Jorge Sampaio numa visita oficial ao país e foi condecorado com a Medalha da Ordem de Timor‑Leste. Em 2005, recebeu a Ordem de Mérito – grau de Comendador pelo Estado Português.

Luís Represas deixa uma obra que atravessa gerações e uma identidade musical que ele próprio descrevia como o seu “barco”. Um barco que navegou durante 50 anos, sempre fiel ao norte que o guiava.

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