A venda ambulante pelas artérias da cidade, popularmente conhecida por “zunga”, foi posta em exibição na última sexta-feira, 28 de março, no auditório Afonso Van-Dúnem “Mbinda”, Edifício Kilamba, sito na Marginal de Luanda.
O gingar das silhuetas, o eco publicitário, a “rodilha”, os panos, a banheira na cabeça e a criança nas costas, que são alguns dos aspectos característicos das mulheres zungueiras, e não só, as suas vivências diárias, foram exibidos pelo projecto “LiterArte” em quatro dimensões artísticas, nomeadamente: pintura, literatura, teatro e escultura.
As pinturas, a cargo de diferentes artistas que retratam as várias facetas desta actividade laboral, procurou ilustrar, em resumo, a “zunga” como o “rosto” da cidade de Luanda, particularmente. Já na literatura, Bel Neto, através do poema “Zunga”, e Evy Martins, através da obra “Escritas no Feminino”, despertaram os presentes para os reais e penosos sacrifícios, riscos, sofrimento e precariedade que a actividade acarreta. Por seu turno, o grupo teatral Elinga Teatro, através da peça “Super Pakata”, mostrou de forma lúdica e pedagógica as origens bem como o simbolismo da “zunga” no “DNA” da maioria dos angolanos, uma vez que é a fonte de subsistência da maioria das famílias angolanas.
Finalmente, Isabel Apolinário, pela escultura, metaforizou a imagem da mulher zungueira recorrendo a folhas de palmeiras e pedaços de ferro.