Os hipócritas dormem
No percurso que a memória lhes dá
A paz tardia por que outros morreram.
Os chulos na convicção do serviço público
Amam a perdição alheia
Para sujar serve a casa do vizinho.
Os ricos vesgos de ambição exibem-se
Exultantes com a escuridão geral
Que lhes permite o ganho.
Há na cidade Homens negros
Passados negros
Cânticos negros
Beijos negros
Os Estúpidos renegam o seu passado pobre
Para a nova condição só sem passado
Os políticos mortinhos pelo noticiário seguinte
Habitam os palanques pregando a palavra amiga
Há na cidade
Vidas negras
Casas negras.
Congo… Ho, Congo… Congo, tu, filha antiga de África. Quem te disse que não podes ser linda? Que não podes vestir-te de luz, pintar o rosto de esperança, calçar saltos que elevem a...
Andei descalço sobre o mal caminhei longas distâncias para alcançar as montanhas e para poder ver os icebergs neles fiz marcantes pinturas com água salgada indelével neles fiz imensas...
Pesada é a bagagem do viajante que vai do não existir ao existir e do existir ao não existir Enquanto me dura essa viagem que outros me doaram como herança ...
São diferentes hoje os olhos com que te abraço a cintura azul Ó mar diferentes também as nossas posturas ontológicas. Hoje sou eu que te tenho ...
Desperto sinto como o tempo vem morar em mim Devagar como quando crescemos e se nos apagam indelevelmente no rosto os traços da mocidade ...
“Eu- corpo- do tempo que me deixa mas fica do tempo que me habita mas se esquece de um outro que se segue, talvez O meu corpo me conta viagens de histórias adormecidas de uma morte...