“Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade.”
Essa frase poderia ser uma das muitas compartilhadas, no último mês, pelo movimento Black Lives Matter (ou Vidas Negras Importam, em português). Caberia perfeitamente nos protestos que pipocaram pelo mundo inteiro nos últimos 31 dias, logo após a morte de George Floyd em 25 de maio de 2020; homem preto, sufocado até a morte pelo joelho de um policial. Poderia… Mas não é.
Essa ideia tem, de fato, 57 anos, e faz parte do famoso “Eu Tenho um Sonho”, discurso de Martin Luther King Jr na Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade. Em meio à segregação dos EUA, o povo negro criou um dia histórico ao exigir igualdade. Naquela época, o ativista lembrou os 100 anos de luta pela pauta da igualdade. Hoje, soma-se mais de meio século à conta da injustiça social.
Em 1963, Martin Luther King Jr., durante pouco mais de 16 minutos, enfatizou a sua visão do futuro. Relembrou como “a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.” Esbravejou pelo fato de “o negro ainda adoece[r] nos cantos da sociedade [...] e se encontra exilado[r] em sua própria terra.” Clamou que a nota promissória da constituição, responsável por garantir direitos iguais para todas, deveria ser paga - mas receberam apenas um cheque sem fundo no lugar. Mais ainda, pediu força, presença, mudança.