De acordo com uma fonte da AGT, os trabalhos de inspecção terminaram na semana passada. Durante três semanas, registou-se uma frequência nunca vista nas instalações da AGT, principalmente no edifício sede, na Baixa de Luanda, com entradas e saídas de inspectores com documentos, computadores e outro material para investigação.
“Os inspectores descobriram artifícios fraudulentos de ordem financeira de muitos gestores e dirigentes feitos através de contratos milionários, cujos pagamentos são efectuados no exterior, principalmente Portugal, em contas privadas”, disse. Depois, acrescentou, “a entidade que dá a cara reparte os valores por instituições, que os escondem em offshores”.
De acordo com a fonte, sinais claros de enriquecimento ilícito de funcionários daquela instituição do Ministério das Finanças chamaram a atenção dos inspectores. Além de detalhes sobre elementos indiciativos de gestão pouco claros de recursos financeiros, os inspectores discorreram, igualmente, sobre os recursos humanos e patrimoniais da AGT, tendo descoberto vários casos de nepotismo e corrupção, envolvendo elementos da instituição.
Quanto às manobras financeiras, sem revelar os valores descobertos, a fonte falou em contratos com prestadores de serviços, alguns sem necessidade, e “montantes avultadíssimos, principalmente em dólares americanos”, através de “pagamentos feitos no exterior, com grandes prejuízos para o Estado angolano”.