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Morte de Mendes Ribeiro empobrece as artes angolanas

Morte de Mendes Ribeiro empobrece as artes angolanas

Jornal de Angola | 2021-01-26 18:03:28 | Arte & Cultura | 492
A obra do desenhador e pintor Mendes Ribeiro constitui, desde os primórdios da Independência Nacional, um património histórico e cultural, inquestionável, tanto por mostrar desde aquela época a vivência política e social angolana, quanto pelo rigor técnico e estético a que se submetia.

Entre os desenhadores e pintores da sua geração, Mendes Ribeiro era o mais representativo na produção de obras no estilo Realismo, corrente artística que surgiu em França no século XIX. Se Gustave Coubert (1819-1877) foi, a nível mundial, o mais importante artista dessa vertente e criador da estética realista, Mendes Ribeiro esteve na linha da frente entre os artistas plásticos angolanos, embora pouco divulgado o espólio que deixa, com a sua morte a 22 deste mês, vítima de doença, em Luanda.

"O mundo chega a ser pintado no meu estúdio”, uma das frases do pintor francês Coubert, a propósito da pintura realista. Era dessa maneira que Mendes Ribeiro defendia, mantendo-se fiel, toda a sua criatividade. Da planificação à fotografia, da fotografia aos esboços, passando para a composição do desenho até chegar à pintura. Porém, muita leitura, ou seja, um artista em constante formação pois dedicava-se muito à leitura quer de conteúdos artísticos quer da vida social em geral. Sempre actualizado.

No seu atelier, na Mutamba, Baixa de Luanda, Mendes Ribeiro trabalhava, geralmente, durante 10 horas no mínimo. Entre as décadas de 1980 e 1990, parte das suas obras - aguarelas e óleo sobre tela - foram direccionadas para ilustração de calendários para empresas petrolíferas: Fina Petróleos, Elfe Aquitane, Sonangol, Chevron; ChevronTexaco, entre outras instituições quer petrolíferas, quer bancárias.

Nascido aos 25 de Agosto de 1941, no Sumbe, antes de se dedicar à intensa carreira de pintor, era contabilista de profissão. Diplomado em Desenho e Pintura pelo Instituto Álvaro Torrão, após a Independência Nacional, Mendes Ribeiro teve um reconhecimento formal no seio do MPLA, tendo recebido um Certificado, assinado pelo primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, em que foram enaltecidos os seus feitos enquanto artista.

Da sua pena saíram inúmeros retratos de heróis e nacionalistas angola-nos, com destaque para os retratos (desenhos a carvão) de Agostinho Neto, Deolinda Rodrigues, Valódia, Hoji ya Henda, Américo Boavida, Dangeraux, Eurico, Saidy Mingas, entre outras figuras relevantes a nível do Partido MPLA.

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