Depois do fecho do quarto ano consecutivo dos encontros intimistas, em Dezembro, com Carlitos Vieira Dias, na sua profundidade estética, o regresso dos músicos ao palco já considerado o grande barómetro do movimento artístico teve de ser feito dentro da “realeza”.
Assim, coube a vez ao seu expoente máximo, cuja voz, agora mais rouca e embargada, fruto da acção do tempo, só se faz ouvir no kimbundu correcto ensinado pela avó Domingas, mestra no apontar do caminho transformado em mais de 60 anos dedicados à música, com o suporte de centenas de sucessos gravados e muitos a reivindicar o aconchego de uma obra discográfica, como os célebres “Yá Kala Yá” e “São Nicolau”, o seu grito de liberdade, no fervor do movimento conducente à independência de Angola.
Sábado, na noite da apoteose, porque no Show do Mês o primeiro dia é para os “showistas” uma espécie de ensaio geral com plateia, o ritual foi seguido à risca. Pontualmente às 21h00, Salu Gonçalves subiu ao palco e deu as boas-vindas aos presentes, passando de seguida a palavra a Yuri Simão, o rosto visível da máquina organizativa. Havia pressa de ouvir o Rei, mas sobrou paciência para algumas confidências, como a da filha da senhora das refeições dos músicos, que, com as propinas pagas pela mãe, está prestes a concluir a licenciatura em Direito, no somatório dos cinco anos. A outra boa-nova foi a entrada da Face CARE e as suas ambulâncias equipadas com tecnologia de ponta.
Ao som do hino do projecto, as cortinas foram descerradas, sob a batuta de Yuma Simão, a directora de palco. Estava lá Elias dya Kimuezo, sentado na poltrona e com a coroa empunhada.