Francisco Terramoto Vandunen Ananias, conhecido artisticamente como Pakito, nasceu no Dande em 1 de maio de 1958, mas foi no Sambizanga que iniciou sua jornada musical, ainda jovem, no final de 1969.
Pakito esteve envolvido em diversos agrupamentos musicais ao longo de sua carreira. Foi um dos pioneiros do projeto Caldo do Poeira e atuou como vocalista da banda Marisol. Antes de alcançar o auge da carreira, entre 1984 e 1987, foi vocalista do grupo Grito Di Povo, onde lançou o sucesso “Peixeira”. Antes da Independência de Angola, Pakito integrou Os Anjos, África Nzoji, Simpáticos, Anangola e África Ritmos, deixando sua marca na música popular angolana.
Reconhecido por sua voz inconfundível, interpretou com propriedade clássicos de David Zé, Urbano de Castro, Artur Nunes e Elias Diá Kimuezu, tornando-se uma referência musical. Em 2010, lançou o CD "Ni Hadi" ("Com Sofrimento"), reunindo alguns dos maiores sucessos de sua carreira.
Mesmo com uma discografia relativamente pequena, Pakito deixou sua marca com gravações memoráveis. Em 1976, lançou o single “Lembueno” ("Exploração") e “Lembranças dos dias de sangue”, acompanhado pelo conjunto Os Kiezos, e produzido pela Valentim de Carvalho. Seu álbum "Ni Hadi" explorou estilos como kizomba, rumba e semba, com faixas como Santa, Exorta, Kala Ni Henda, Dikossa, Luanda, Peixeira, Quero Viola, Luimbi, Mamalelo, Kudibana, Sambeleno e Uabelessela.
Influência e Reconhecimento
Pakito sempre abordou temas profundos em suas músicas, valorizando o respeito à tradição, o amor ao próximo, a cultura angolana e a realidade dos musseques. Sua contribuição à Música Popular Angolana foi amplamente reconhecida por artistas e músicos como Dikambú, que destacou sua versatilidade e domínio da língua quimbundo.
Participou de diversos projetos musicais, incluindo o álbum "Balaios do Calundo" de Guerrito, o CD "Vidas Vividas com Vida" de Tony Caldas, e o projeto "Carnaval 30 anos", onde venceu na Classe B com "A Paz Chegou". Também se destacou no prêmio "Semba D’Ouro", competindo com as canções Dikossa (1999) e Uabelessela (2004).
Em 2005, ficou em terceiro lugar no Prêmio da Canção Cidade de Luanda, e em 2006, recebeu um Diploma de Honra em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento da música angolana.
Legado e Homenagens
Além de sua contribuição para a música, Pakito foi homenageado em 2010 pela MCA Produções, celebrando seu impacto cultural no Sambizanga. Em 2005, artistas angolanos organizaram uma campanha de solidariedade para apoiar Pakito durante seu período de hospitalização, destacando o respeito e carinho que sua obra inspirou ao longo dos anos.
Com uma carreira marcada por paixão, luta e dedicação, Pakito tornou-se uma das figuras icônicas da música angolana, mantendo viva a essência do semba, rumba e kizomba com sua voz e interpretações únicas.