Numa altura em que a colonização portuguesa dava os derradeiros suspiros, Zecax compôs, com apenas 15 anos, uma canção que lembrava o luto deixado pela violência da presença colonial e denunciava a deportação dos seus amigos mais próximos no campo de concentração de São Nicolau. Esta atitude, considerada ousada na época, determinou a primeira fase da carreira do compositor e a sua entrada, precoce, no universo simbólico e interventivo da canção política.
Filho de José António Janota Júnior e de Luzia Bento Anita, José António Janota nasceu em Luanda, no Bairro Marçal, no dia 2 de Junho de 1959 e assistiu aos melhores momentos dos grupos de carnaval do seu Bairro. Zecax, escolhido por uma criteriosa selecção, entre os amigos do seu bairro, integrou em 1970, como cantor, o agrupamento infantil “Mini-Bossa 70”.
O conjunto “Mini- Bossa 70”, formação apadrinhada pelo empresário Pedro Franco, embora fosse constituída por músicos muito jovens, teve a oportunidade de se apresentar no Clube Maxinde, Bom Jesus, Desportivo União de São Paulo, Ginásio e Centro Social de São Paulo, importantes espaços de recreação e entretenimento cultural da cidade de Luanda.
A aprendizagem e solidez criativa, adquirida no interior do “Mini-Bossa 70”, levaram-no a integrar, três anos depois, o agrupamento “Surpresa 73”. Estávamos numa época de intensa rebeldia e contestação estudantil e o produtor e técnico de gravação, Jofre Neto, solicita ao Zecax uma canção de teor revolucionário.
É assim que surge o tema “Colono”, uma canção que ficou famosa e que marcou a introdução de Zecax no universo da canção revolucionária: Tundé nga giba pangue jetu/ Angola tua xala ni luto ué/ kamba diami Meirim/ ua um tumissa kuá São Nicolau/ kamba diami Inocêncio éé/ Colono ué, uá mujiba/ kamba diami, São Pedro/ colono ué uá mujiba/ Colono palanhi ku tu jiba/ mukonda dia ngola ietu ué…, cantava Zecax.
A militância política de Zecax na JMPLA, numa altura em que os jovens assumiam, de forma progressiva, a contestação política, como principal arma de mudança social, esteve relacionada, de forma directa, com a sua aproximação ao associativismo cultural estudantil. Zecax fez parte do histórico agrupamento “Kissanguela”, em 1976, formação musical ligada à JMPLA, como cantor, gravando o seu nome nesta importante banda musical, que representa o ponto mais alto da canção revolucionária. O cantor passou ainda pelos “Angolenses”, grupo musical engajado politicamente, que defendia, nos textos das suas canções, a libertação total de África.
Zecax passou ainda pelos “Merengues”, como viola ritmo e vocal, em substituição de Zeca Tirylene, tendo feito uma importante digressão pela França e União Soviética. Como funcionário do Ministério da Cultura, Zecax integrou os “Diamantes Negros”. Da época dos “Diamantes Negros”, ficou na memória a canção “Caminhar é difícil”, interpretada por Zecax.
A passagem de Zecax pelos “Jovens do Prenda” não foi menos importante, de 1981 a 1984, como intérprete e guitarra ritmo. Nesta formação ficaram na história os sucessos: “Undengue uami”, uma belíssima canção em que o cantor exalta a memória da sua infância nos becos do Capolo Boxi, no Bairro Marçal, “Makota mami” e “Fim-de semana”.
Zecax interpretou ainda os sucessos “Maximbombo”, “Boleia” e “Donzela”, nos Kiezos, onde passou de 1984 a 1988. Ainda na condição de funcionário do Ministério da Cultura, Zecax fez parte do agrupamento “Semba África”. No agrupamento “Semba África” ficaram conhecidos os sucessos “Mana Tita” e “Caçador”.
Fonte:Club K