Deolinda Inês Caetano Kinzimba, nascida a 11 de maio de 1995, em Luanda, é uma cantora, compositora e atriz angolana que ganhou projeção internacional ao vencer a 3.ª edição do The Voice Portugal, em 2016. Cresceu no bairro da Ingombota, onde desde cedo demonstrou vocação artística. Ainda criança, participava em pequenas apresentações na catequese da Igreja do Carmo e integrou brevemente um coro infantil aos 10 anos.
Aos 11 anos descobriu o rock dos anos 80 — Bon Jovi, Guns N’ Roses — e recebeu o seu primeiro violão. O irmão inscreveu-a numa pequena escola de música, mas o projeto encerrou semanas depois. Aos 14 anos começou a escrever as suas próprias canções e gravou a primeira demo num pequeno estúdio com apoio do irmão e amigos.
Aos 16 anos mudou-se para a Tanzânia, onde a irmã trabalhava na embaixada angolana. Em busca de melhores oportunidades de estudo, mudou-se sozinha para Guimarães, Portugal, em 2014, concluindo o ensino secundário na Escola Francisco de Holanda. Em 2015 iniciou o curso de Direito, primeiro no Porto e mais tarde na Universidade Lusíada, onde se licenciou.
Musicalmente, Deolinda é autodidata. Cresceu a ouvir géneros variados, influenciada pelos irmãos e pelo pai, que cantava informalmente. As suas referências incluem Whitney Houston, Mariah Carey, Phyllis Hyman, Selena Quintanilla, entre outras. Gosta de R&B, Soul e Kizomba, escreve e compõe letras autobiográficas e até guiões de filmes de terror. Afirma que em palco “se transforma” e que o seu maior sonho é ser feliz e construir uma carreira sólida na música.
A estreia televisiva aconteceu no The Voice Portugal, onde interpretou “I Have Nothing”, de Whitney Houston, levando todos os mentores a virar a cadeira. Escolheu Mickael Carreira como mentor e rapidamente se tornou uma das favoritas do público. Na final interpretou temas de Mariah Carey e Kelly Clarkson, sendo apelidada pela imprensa de “a nova Whitney Houston”. A vitória valeu-lhe um contrato com a Universal Music.
O seu primeiro single, “Primeira Vez”, foi lançado em outubro de 2016.
Em novembro de 2017 lançou o álbum “Deolinda Kinzimba”, com 10 faixas em português e inglês, produzido por Miguel Ferrador. O disco recebeu críticas positivas, destacando-se a emoção e a força vocal da artista.
Em 2017 participou no Festival RTP da Canção, a convite de Rita Redshoes, com o tema “O Que Eu Vi Nos Meus Sonhos”, alcançando a final no Coliseu dos Recreios.
Em 2016 estreou-se como atriz na série “Dentro” (RTP), interpretando Raquel, uma reclusa com o sonho de ser cantora. Contracenou com Miguel Nunes e Teresa Tavares. No mesmo ano deu voz à personagem Meena na versão portuguesa do filme “Cantar” (Sing).
Participou ainda no programa Sociedade Recreativa (2016–2017), interpretando-se a si própria.
Deolinda viveu vários anos sozinha em Portugal, mantendo contacto com a família — incluindo cinco irmãos — através de videochamadas. Descreve-se como autodidata, resiliente e apaixonada pela música desde sempre. As melhores memórias de infância remetem para a avó e as histórias que lhe contava.
Acredita que o maior obstáculo na sua carreira é a falta de investimento no talento, e foi essa busca por oportunidades que a levou ao The Voice. A sua maior inspiração é Mariah Carey, a quem atribui grande parte do que aprendeu vocalmente.
Hoje, Deolinda Kinzimba é reconhecida como uma das vozes angolanas mais marcantes da sua geração, combinando técnica, emoção e uma história de vida que inspira perseverança e autenticidade.