Abel Duerê é um músico, cantor e compositor angolano, nascido em Benguela, a 19 de outubro de 1959. Radicado no Brasil há várias décadas, tornou-se uma das vozes angolanas mais ativas na divulgação da cultura do seu país no exterior, conciliando a música com projetos sociais e culturais.
Natural de Benguela, estudou no Liceu de Benguela e viveu a infância e parte da juventude na cidade. Em consequência do conflito que antecedeu a independência de Angola, permaneceu com os pais em Benguela até 1975. Com o agravamento da situação, a família deixou a cidade numa embarcação de pesca que transportava cerca de mil pessoas, conseguindo chegar a Luanda. Pouco tempo depois, mudou-se para Portugal, onde viveu até 1978, ano em que se estabeleceu no Brasil.
Já no Brasil, trabalhou inicialmente no comércio, mas nunca abandonou a música. Começou a cantar em espaços noturnos do Rio de Janeiro, interpretando temas inspirados nas suas origens e nas tradições musicais de Benguela. Ao longo dos anos, desenvolveu um estilo próprio, marcado pela fusão de ritmos angolanos com influências brasileiras e de outros géneros da World Music, incorporando elementos de semba, kilapanga, reggae, afro e sonoridades celtas.
Entre as suas composições mais conhecidas destacam-se Kimbele, Madalena, Mbemba, Ombaka e Galera. O artista afirma ter sido um dos pioneiros na introdução de sonoridades pop e reggae na música angolana contemporânea, mantendo sempre as suas raízes culturais como principal referência.
Durante a carreira lançou diversos projetos musicais, entre os quais os álbuns Meu Semba, Teu Samba e Sons de Ombaka, bem como o DVD Meu Brasil Africano. Em 2008, participou na digressão Afro Celtic, reforçando o caráter multicultural da sua música.
Ao longo do seu percurso, Abel Duerê partilhou o palco e colaborou com vários músicos. Manteve uma relação de amizade e trabalho com Pop Show, a quem considerava um dos maiores guitarristas do seu género. Foi também através do grupo Afra Sound Star que gravou alguns dos seus trabalhos, incluindo a canção Kimbele, um dos maiores sucessos da sua carreira.
Além da atividade artística, sempre demonstrou um forte compromisso social. No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, criou um projeto dedicado ao ensino da percussão para crianças e adolescentes, oferecendo formação musical teórica e prática. A iniciativa deu origem a uma orquestra de percussão e proporcionou oportunidades de aprendizagem a dezenas de jovens, muitos deles filhos de angolanos residentes no Brasil.
Em 2013, participou no Carnaval brasileiro com um trio elétrico, realizando uma atuação de cerca de seis horas perante milhões de pessoas. A experiência reforçou a sua vontade de levar a música angolana a um público cada vez mais amplo e de envolver outros artistas angolanos na divulgação da cultura nacional durante as festividades.
Vivendo entre Angola, Portugal e Brasil ao longo da vida, Abel Duerê considera-se um cidadão do mundo, mas afirma nunca ter perdido a ligação às suas origens. Em 1992, regressou a Benguela pela primeira vez desde a infância, reencontrando lugares e memórias que marcaram profundamente a sua identidade.
Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Abel Duerê consolidou-se como um dos artistas angolanos que mais contribuiu para aproximar as culturas de Angola e do Brasil. Através da música, da valorização das suas raízes e do trabalho social que desenvolve, continua a promover a cultura angolana além-fronteiras, preservando uma carreira construída com autenticidade e compromisso.