F. Tchikondo é o pseudónimo literário de Francisco Manuel Monteiro Queiroz, jurista, professor universitário, diplomata, antigo governante e escritor angolano, nascido no Kuito, província do Bié, Angola.
A sua trajectória profissional desenvolveu-se principalmente nas áreas do Direito, ensino universitário, diplomacia e administração pública. É licenciado em Direito pela Universidade Agostinho Neto, em Luanda, e realizou estudos de pós-graduação em Direito Económico Internacional na Universidade Agostinho Neto e na Universidade de São Paulo, no Brasil. É também mestre em Ciências Jurídico-Económicas pela Universidade Clássica de Lisboa, em Portugal.
Ligado à Universidade Agostinho Neto desde 1985, lecciona Direito Económico, tendo alcançado a categoria de Professor Associado. Durante a sua carreira académica, exerceu igualmente funções de direcção na Faculdade de Direito da mesma universidade, onde foi decano.
Antes de integrar o Governo, Francisco Queiroz exerceu diferentes funções no Estado angolano. Foi magistrado do Ministério Público nas Forças Armadas, assistente diplomático do Presidente da República e secretário do Presidente da República para os Assuntos Políticos e Parlamentares. Exerceu posteriormente funções como ministro da Geologia e Minas e, entre 2017 e 2022, foi ministro da Justiça e dos Direitos Humanos.
Também desenvolveu carreira na área diplomática e militar, tendo alcançado a patente de brigadeiro na reforma. É ainda associado ao Centro de Estudos Estratégicos de Angola (CEEA).
Percurso literário
É através do nome F. Tchikondo que Francisco Queiroz desenvolve a sua actividade literária. O pseudónimo está ligado à sua história familiar e foi escolhido para separar a sua produção literária da actividade profissional e política.
A sua obra inclui romance, poesia e contos, abordando temas relacionados com a sociedade angolana, a identidade africana, a história, o desenvolvimento e as questões sociais. Parte da sua produção procura também questionar visões negativas sobre África e apresentar outras perspectivas sobre o continente e sobre as suas possibilidades de desenvolvimento.
Entre as suas obras encontra-se Semeador de Pedrinhas e Outros Contos, que reúne textos de ficção, além de diversos poemas publicados em livros e outros espaços literários. Alguns dos seus poemas foram igualmente musicados.
Outro título importante no seu percurso é O Grande Império Kassitur na Dinastia Sekele, uma obra de ficção que imagina Angola num futuro distante. O romance projecta o país para o ano de 2150 e, através dessa construção ficcional, aborda questões económicas, políticas, sociais, demográficas e culturais.
A obra parte de uma reflexão sobre o caminho que Angola poderá percorrer ao longo dos próximos séculos. Em vez de se limitar à realidade presente, o autor utiliza a ficção para imaginar uma sociedade futura e explorar possíveis transformações no país.
Na poesia, destaca-se O Guardador da Chuva – 50 Canções para Angola, uma colectânea que reúne poemas relacionados com diferentes aspectos da realidade angolana. Os textos abordam sentimentos pessoais, relações humanas, questões sociais e temas ligados à identidade e à vida colectiva.
Além dos livros, F. Tchikondo publicou textos em revistas de especialidade, tanto em Angola como no estrangeiro, mantendo ao longo dos anos uma actividade ligada à escrita e à reflexão.
Entre o Direito e a literatura
A actividade de F. Tchikondo desenvolve-se, portanto, em dois espaços distintos. Como Francisco Queiroz, construiu uma carreira ligada ao Direito, ao ensino universitário, à diplomacia e à administração pública. Como F. Tchikondo, dedica-se à literatura e utiliza o romance, a poesia e o conto para explorar temas relacionados com Angola e com a realidade africana.
Essa separação entre as duas identidades permite-lhe abordar, através da literatura, assuntos que ultrapassam o âmbito estritamente jurídico ou político. A ficção torna-se um espaço para imaginar futuros possíveis, recuperar elementos da história e cultura angolanas e reflectir sobre os desafios da sociedade.
Casado e pai de três filhos, Francisco Queiroz mantém a ligação ao ensino e à produção intelectual, enquanto F. Tchikondo representa a sua expressão no campo literário angolano.