Lady Adelina Domingos Rosa, nascida a 28 de julho de 1981, na província do Uíge, Angola, é uma mulher cuja história combina determinação, sensibilidade artística e um profundo compromisso com o serviço público e com as causas sociais. Cresceu como a primeira de quatro irmãos, numa infância marcada por estabilidade familiar e boa educação, apesar das mudanças de província e dos desafios que o país enfrentou, especialmente durante os confrontos de 1992. A juventude trouxe-lhe responsabilidades precoces: engravidou aos 18 anos e precisou ingressar cedo no mercado de trabalho, mas nunca permitiu que isso a afastasse dos seus sonhos. A resiliência tornou-se uma das marcas mais fortes da sua personalidade.
A sua formação académica reflete a mesma determinação. É mestranda em Mediação e Resolução de Conflitos, pós-graduanda em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho, pós-graduada em Agregação Pedagógica e licenciada em Direito e Relações Internacionais. Como advogada, construiu uma carreira sólida que a levou a ocupar o cargo de Chefe do Departamento de Infraestruturas e Chaves Públicas da Direção Nacional das Políticas de Cibersegurança e Serviços Digitais, no Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social. Paralelamente, atua como docente universitária, formadora em áreas como Cibersegurança, Secretariado Executivo e Elaboração de Pareceres e Relatórios, e consultora externa do Instituto de Defesa Nacional.
A sua participação em órgãos estratégicos é vasta. Integra a Comissão de Avaliação e Elaboração do Livro Branco das TIC 2023–2027, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas para a elaboração da Lei sobre Cibercrime, o Comité Multissectorial de Luta Contra as Drogas, a Comissão para Implementação da Metodologia RAM sobre Ética da Inteligência Artificial, a Comissão Nacional das Prerrogativas dos Advogados da Ordem dos Advogados de Angola, o Comité Executivo da Associação de Resgate da Cidadania e a Comissão Jurídica do Secretariado Geral da Igreja Evangélica Reformada de Angola (IERA). Na mesma igreja, exerce ainda a função de Secretária da Organização Semeando Esperança.
O seu compromisso social estende-se ao ativismo, com envolvimento direto na luta contra a droga, a violência doméstica, o câncer de mama e o HIV/SIDA. É também mestre de cerimônias, organizadora de eventos e educadora inter-pares em saúde sexual e reprodutiva.
A literatura acompanha-a desde a adolescência, quando escrevia versos nos cadernos escolares. A carreira literária ganhou forma em 2011 ou 2012, através de um concurso no Facebook. Desde então, consolidou-se como escritora e declamadora, adotando o nome artístico “Poetisa dos Pés Descalços”, expressão que traduz a sua autenticidade e ligação às raízes. A natureza, as vivências e as emoções humanas são as suas principais fontes de inspiração, e a sua escrita é frequentemente descrita como subjectiva e peculiar.
Publicou o livro Migalhas, obra que considera um dos pontos mais altos da sua trajetória artística, juntamente com o recital poético organizado pela Arte e Cultura em homenagem ao livro. Participou ainda em diversas antologias, entre elas Lusófona Souespoeta, Elos do Saber – Nossos Versos, Borboletras, A Gente que Eu Conheço, A Poesia Multicultural, Geração Poema e a 1ª Antologia Internacional da FEBACLA para países de língua oficial portuguesa. É membro dos movimentos Berço Literários, Elas e as Letras e Souespoeta-Angola.
Ao longo do seu percurso, teve a oportunidade de trabalhar com vários escritores e artistas da sua geração, incluindo Kialunga Afonso, Gino Sacramento, Lourenço Paposeco, Bel Neto, Azul Fénix, Farinha, Adão Zina, Hélder Simbad e Carla Faria, entre muitos outros, nacionais e estrangeiros. Para ela, os eventos de arte são sempre momentos de plenitude, difíceis de hierarquizar, e embora ainda não tenha recebido premiações, mantém uma visão clara para o futuro: publicar novas obras e, quem sabe, participar em concursos literários.
Lady Adelina continua a construir a sua história com a mesma força que marcou o seu início. Entre a advocacia, o serviço público, o ativismo e a poesia, afirma-se como uma voz que une sensibilidade, consciência social e compromisso com o crescimento pessoal e coletivo.