Joana D’Água é uma artista multidisciplinar sediada em Lisboa, de ascendência angolana e portuguesa, cuja obra se destaca pela fusão entre música, performance, dança, pintura e ativismo. Nascida em Lisboa e criada no Algarve, é filha de mãe angolana e pai português, uma herança híbrida que marca profundamente a sua identidade artística e conceptual.
Desde 2011, Joana desenvolve o seu projeto-manifesto PLANO V, um universo criativo que integra música eletrónica, rap, afrofuturismo, dança e performance. A artista escreve, compõe, produz e interpreta as suas próprias canções, definindo o seu estilo como “Música Sensual Pretuguesa” (MSP) — uma estética que combina sensualidade, intervenção política, futurismo negro e reflexão filosófica.
A sua música é tão híbrida quanto a sua trajetória: portuguesa e afrofuturista, sensual e queer, sinestésica e ativista. Em palco, apresenta performances intensas e visuais, onde a dança assume protagonismo e a experiência artística se torna imersiva e multisensorial.
A formação multidisciplinar de Joana — que inclui pintura, teatro, dança e performance — influencia diretamente a sua abordagem musical e performativa. A artista explora temas como identidade, corpo, memória coletiva, herança colonial e espiritualidade, articulando-os numa linguagem contemporânea e profundamente pessoal.
Entre 2016 e 2019, criou a série de aguarelas “Ida”, apresentada no Espaço Espelho d’Água, em Belém. Nesta obra, Joana homenageia as vidas apagadas durante a travessia atlântica, evocando as pessoas que perderam o nome, a terra e a humanidade no contexto colonial. As faces retratadas emergem como testemunhos simbólicos de uma memória submersa, convocando reflexão e reparação histórica.
Com uma visão artística que atravessa disciplinas e fronteiras, Joana D’Água afirma-se como uma das vozes mais singulares da nova cena artística portuguesa, trazendo para o centro da criação contemporânea temas urgentes, corpos dissidentes e estéticas afro-diaspóricas reinventadas para a era de Aquaria.