Fundada no início dos anos 90, a banda Metal Tomb marcou uma era no cenário musical angolano como uma das primeiras bandas a abraçar o rock pós-independência. A formação inicial contava com Michel Fio (guitarra e voz), Hélio Cruz (bateria) e Hugo, que era o barman do espaço Tambarindo na Maianga, como baixista. Depois, Hugo foi substituído por Vando Moreira e juntou-se também Nguaby Montel (guitarra ritmo). A banda contava com um repertório que incluía covers de grandes bandas de rock internacionais. O nome foi sugerido pelo Michel numa das noites no Tino Abrantes enquanto olhavam para os túmulos do Alto das Cruzes no Miramar, em Luanda. Metal Tomb, assim ficou, que em português é 'Campas de Metal' ou 'Túmulos de Metal'.
O grupo começou tocando em bares icônicos de Luanda, como o Farol Velho, o Terraço do Tino Abrantes e o bar do Mi Farias, além de marcar presença em festas escolares e eventos culturais. Mais tarde, o talentoso Kizua Gourgel e suas irmãs gêmeas, Joana e Elisa, se juntaram à banda como coristas e Kizua como guitarra e voz, enriquecendo o som do Metal Tomb.
Um dos momentos mais ousados e inovadores do grupo foi a adaptação da música tradicional angolana Mbiri Mbiri em uma versão rock. Apesar do risco de misturar estilos tão distintos em um ambiente ainda conservador, a banda foi aplaudida pelos “kotas” da época, conquistando respeito e expandindo os horizontes do público angolano. Tiveram também como momento marcante de suas carreiras a atuação no Top Lazer na LAC.
A Influência e o Legado
Metal Tomb foi uma das duas bandas de rock visíveis no país naquele período, ao lado dos Mutantes. Essa exclusividade e dedicação ao gênero inspiraram uma nova geração de músicos. Muitos membros de bandas emergentes, como os Cristal, foram alunos de Michel Fio, consolidando o impacto do Metal Tomb no cenário musical angolano.
O Sucesso e a Separação
O ponto mais alto da carreira do Metal Tomb foi quando se apresentavam no Terraço do Tino Abrantes, atraindo multidões e conquistando convites para tocar em locais renomados, como o Pandemónio, o Nelo na Vila Alice e a Escola Portuguesa.
No entanto, com o tempo, divergências artísticas e compromissos pessoais levaram ao desmembramento da banda. Nguaby saiu para se dedicar ao projeto com as Gingas, enquanto Kizua e as gêmeas também seguiram novos caminhos. No final, cada membro buscou um estilo musical mais alinhado às suas preferências pessoais, com exceção de Michel Fio, que permaneceu fiel ao rock.
O Legado do Metal Tomb
Embora tenha tido uma carreira breve, o Metal Tomb foi um marco no rock angolano, enfrentando desafios e preconceitos em um cenário dominado por outros estilos musicais. Sua ousadia, paixão e impacto são lembrados como um legado pioneiro, que abriu espaço para novas bandas e músicos explorarem o gênero.
Hoje, Metal Tomb é reconhecida não apenas como uma banda de rock, mas como um movimento que ajudou a diversificar a música em Angola, provando que o rock, mesmo em um ambiente adverso, pode deixar uma marca indelével.