Bigú Ferreira nasceu e cresceu no bairro do Prenda, em Luanda, num ambiente simples, onde o futebol e a música faziam parte do quotidiano. Durante a infância e adolescência, dividiu-se entre o sonho de ser futebolista — jogando no campo do Lote 6 — e o interesse crescente pela música, área na qual acabaria por se afirmar.
A sua ligação à música foi influenciada pelo contexto familiar, em particular pelo pai, que tocava guitarra, despertando nele o interesse por aprender o instrumento. Teve também como referência um primo cantor, conhecido como Robertinho. A partir daí, a motivação pessoal foi determinante para o desenvolvimento do seu percurso artístico.
Os primeiros passos na música surgiram com pequenas composições voltadas para o público infantil. Em 1992, gravou a sua primeira música em parceria com o músico YeYe, marcando oficialmente o início da sua carreira. Em 1994, integrou o grupo N’Sex Love, onde ganhou projeção nacional, destacando-se sobretudo como compositor. O grupo viria a ser reconhecido como um dos mais influentes do seu tempo, chegando inclusive a ser nomeado entre os melhores grupos africanos nos MTV Europe Music Awards, um dos pontos altos da sua trajetória.
Em 1999, após a saída de Henda Pitra — membro fundador e criador do nome N’Sex Love — o grupo passou a chamar-se O2, mudança que Bigú Ferreira considera um dos momentos mais difíceis da sua carreira. Ainda assim, no seio do O2, consolidou-se como autor de temas marcantes da música angolana, entre os quais se destaca “Mil Desculpas”, canção de grande impacto nacional, que contou com a participação de Walter Ananás e viria a ser interpretada por artistas como Yola Araújo e, mais tarde, reinterpretada por Rui Orlando.
Reconhecido pela clareza e força vocal, Bigú Ferreira sempre valorizou a mensagem nas suas composições, entendendo o músico como um agente social atento às dinâmicas dos relacionamentos humanos e da vida em comunidade. Ao longo da carreira, colaborou com vários artistas, tendo destacado Lokua Kanza como uma das figuras que mais o marcou, pela simplicidade, experiência e visão artística. Também partilhou experiências em estúdio com nomes de relevo como Jacob Desvarieux, dos Kassav’, momento que descreveu com emoção e respeito pela dimensão do músico.
Paralelamente à música, Bigú Ferreira construiu uma carreira profissional fora dos palcos. Formou-se em Sistemas Informáticos, embora reconheça que gostaria de ter tido uma formação musical académica. Exerceu também a função de professor do Ensino de Base na Escola Branca do Prenda, conciliando a docência com a atividade artística, e deu posteriormente os primeiros passos no ramo empresarial.
Ao longo do seu percurso, manteve uma relação próxima e respeitosa com o público, baseada na reciprocidade do carinho e no respeito mútuo. Casado, considera a família a maior prioridade da sua vida, apesar das dificuldades em gerir o tempo entre a carreira artística, profissional e familiar.
Em 2023, Bigú Ferreira anunciou publicamente a sua decisão de abandonar a música secular para se dedicar à música gospel, afirmando ter encontrado na fé um propósito maior. A decisão foi partilhada em entrevistas, incluindo à Zap e à RNA Internacional, já a residir nos Estados Unidos, onde passou a organizar iniciativas ligadas à música gospel, incluindo concertos com artistas angolanos. Nesse mesmo período, uma mensagem sua exibida no programa Live no Kubico gerou forte emoção entre antigos membros do grupo O2, evidenciando a ligação humana e artística que sempre caracterizou o coletivo.
A sua trajetória é marcada por fases distintas, conquistas relevantes e escolhas pessoais conscientes, refletindo um percurso sólido na música angolana e uma transição assumida para uma nova etapa de vida e expressão artística.