Zélia Maria do Carmo Reis Ferreira nasceu a 1 de outubro de 1961, na cidade de Benguela, conhecida como a “terra das Acácias Rubras”, em Angola. Cresceu num ambiente marcado pela sensibilidade artística e, desde cedo, demonstrou interesse pelas artes visuais. Atualmente reside em Vilamoura, no Algarve, onde mantém o seu atelier e continua a desenvolver o seu trabalho artístico. É casada desde 21 de novembro de 1986.
Formou‑se no Instituto Diderot de Belas Artes, em Bruxelas, Bélgica — antiga Escola do Sablon, no “Vieux Sablon de Bruxelles” — onde se diplomou em Pintura de Aquarelas, Carvão, Trompe L’oeil, Falso Mármore, Arquitetura e Decoração de Interiores. Complementou a sua formação com cursos de arte online, aprofundando técnicas e abordagens contemporâneas. A sua obra revela uma forte ligação às memórias e paisagens angolanas, que retrata com realismo, detalhe e sensibilidade.
Ao longo da carreira, participou em diversas exposições individuais e coletivas em Angola, Portugal, Bélgica, França e Emirados Árabes Unidos. Em 2000 apresentou no Centro Cultural Espanhol “Pablo Iglesias”, em Bruxelas, uma exposição individual com mais de cinquenta aquarelas dedicadas a paisagens de Portugal e Espanha, sob o título “Península Ibérica”. Em 2015 realizou no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, a primeira exposição individual de um artista no Mausoléu, apresentando mais de setenta obras em aquarela e óleo na mostra “Loanda – Aquarelas da Nossa Memória”. No ano seguinte participou numa exposição coletiva no mesmo espaço, ao lado de mais de trinta artistas angolanos. Em 2017 apresentou em Faro uma exposição individual dedicada à mulher angolana, intitulada “Março Mulher”, e no mesmo ano expôs na Embaixada de Angola em Portugal a mostra “Paz e Progresso”, composta por mais de quarenta obras.
Ainda em 2017 participou na ArtShopping Paris, no Carrousel du Louvre, representando Angola entre dezenas de artistas internacionais. A sua obra “Sorrisos” foi distinguida com a Medalha de Ouro. Em 2018 voltou a ser premiada com outra Medalha de Ouro na INDEX Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com a obra “Cupido”. Desde 2017 é membro da Artcom Expo International, sediada na Noruega.
O seu trabalho tem sido amplamente reconhecido pela forma como valoriza as suas raízes angolanas, retratando paisagens, rostos e memórias que fazem parte da identidade cultural do país. A artista tem contado com o apoio de figuras e instituições que acompanham o seu percurso, incluindo o seu mecenas Manuel Cerqueira Pereira, que contribuiu para a realização da exposição no Carrousel du Louvre. O seu trabalho tem sido igualmente documentado por profissionais como o realizador N’guxi dos Santos, distinguido internacionalmente e autor de reportagens sobre a artista.
A obra de Zélia Ferreira destaca‑se pela técnica apurada, pela profundidade emocional e pela capacidade de preservar, através da pintura, fragmentos da história e da memória coletiva angolana. A artista mantém uma produção ativa e continua a afirmar‑se como uma das vozes relevantes da pintura angolana contemporânea.
| Ano | Premiação | Organizador |
|---|---|---|
| 2017 | Prémio de Ouro | Museu do Carrousel du Louvre |
| 2018 | Medalha de Ouro | Index Dubai |