Certifica-se Como Artista Real Na LEA. Começa Agora
Logo da Lea.co.ao
facebook X instagram pinterest youtube
As vozes que não se calaram

As vozes que não se calaram

Lea.co.ao | 2025-04-06 11:06:38 | Crónicas | 360
No país das liberdades, milhares redescobrem o poder da rua

Era um sábado como tantos outros, mas o país acordou com um barulho diferente. Não era o som dos carros, dos telefones, nem das manchetes nos telejornais. Era o som das ruas — das vozes que se juntavam, que ecoavam, que exigiam. "Hands Off!", gritavam. Um grito que cruzou os cinquenta estados e saltou oceanos, como se fosse um sussurro transformado em trovão.

Chovia leve em Washington, mas ninguém se importava. As capas de chuva mal escondiam os cartazes molhados que diziam “Esse dinheiro é nosso” e “Lutem contra a oligarquia”. Em Seattle, veteranos de guerra marchavam lado a lado com jovens que ainda acreditam que o futuro pode ser moldado com as próprias mãos. Em Los Angeles, famílias inteiras levavam crianças nos ombros, talvez para que elas se lembrem, um dia, de que estavam lá quando tudo parecia desandar.

No centro da revolta, dois nomes: Donald Trump e Elon Musk. Um, velho conhecido das polêmicas políticas. Outro, novo símbolo de um poder que já não responde a ninguém. Juntos, encabeçam reformas que apertam o laço no pescoço de quem vive do salário, de quem depende de benefícios sociais, de quem busca dignidade.

No tal Departamento de Eficiência Governamental — nome pomposo, quase irônico — 200 mil pessoas foram demitidas. Um número tão grande que se perde na estatística, mas que cabe inteirinho no silêncio angustiante de uma mesa de jantar vazia. E quando até professores e médicos começam a ser tratados como criminosos, algo está claramente fora do lugar.

Trump rebateu, como sempre faz, com um comunicado afiado e estratégico: diz que protege a Previdência, que os vilões são os imigrantes e os democratas. É o mesmo enredo de sempre — repetir uma mentira até que alguém acredite.

Mas dessa vez, algo mudou.

Em Londres, em Paris, em Berlim, americanos longe de casa também foram às ruas. E em Stamford, Connecticut, uma senhora de 84 anos apareceu, vestindo tênis velhos e segurando um cartaz escrito à mão. Disse que achava que nunca mais marcharia por nada. “Mas então vieram Trump e Musk”, murmurou com um sorriso triste.

Talvez essa seja a grande beleza da democracia: ela pode adormecer, mas não morre. Às vezes, basta um empurrão — um corte, uma injustiça, uma medida arbitrária — para que o povo volte a lembrar de que a rua ainda é sua.

Naquele sábado, os EUA não gritaram por um partido. Gritaram por respeito, por dignidade, por um futuro que não pertença apenas aos bilionários.

E se o barulho da multidão não foi suficiente para mudar as leis, ao menos serviu para lembrar aos poderosos que ninguém governa sem resistência.

ARTIGOS RELACIONADOS

Em Destaque

As Mais Lidas

 Contagem regressiva para o maior encontro da África, o Festival Internacional de Jazz da Cidade do Cabo
 Mano Chaba: Trágico Falecimento do Kudurista Angolano



 3 Finer Anuncia Separação da XB Label e Abre Discussão Sobre Relação Entre Artistas e Produtoras
 Henda Slash Lenine : “Tornei-me amante de rock influenciado pelos programas Vídeo Disco e Explosão Internacional”
 Suspensão Temporária de Eraldina Santos pela XB Label



Aquivos

Tags