Nesta mostra, o artista nascido em Luanda, em 1980, tomou de novo nas mãos fotografias, postais, documentos oficiais, telegramas e selos impressos em tecido, tela e cartão e despenteou-os com técnicas de impressão experimentais para nos pôr a pensar.
“Esta é a minha história da mentira que nos é contada”, declara o artista, que tenta desvendar, para além do cariz político inerente ao material exposto, “de que forma a relação da sociedade angolana com a auto-imagem evoluiu desde então, em termos de transparência, produção e reflexão”, descreve Gisela Casimiro no texto de apresentação de “Olhar do Outro”.
A imagem e a memória de sociedades africanas coloniais, como Angola ou Moçambique, são o ponto de partida de grande parte do trabalho de Délio Jasse. O artista, que vive há vários anos entre Lisboa e Milão, usa arquivos fotográficos da época colonial (próprios, doados ou que vai encontrando nas suas andanças) e transforma-os, mostrando as contradições desses mundos com os quais ainda vivemos lado-a-lado, em muitos sentidos.