A União Europeia (UE) e a Índia anunciaram nesta terça-feira a conclusão de um acordo histórico de livre comércio, considerado o maior já assinado por ambas as partes. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o tratado como a “mãe de todos os acordos”.
O pacto encerra quase 20 anos de negociações intermitentes, que ganharam forte impulso nos últimos seis meses. Com ele, será criada uma enorme zona de livre comércio envolvendo cerca de 2 bilhões de pessoas, unindo o bloco europeu de 27 países à quarta maior economia do mundo.
O acordo prevê a eliminação ou redução de tarifas em 96,6% dos bens comercializados entre as partes. Produtos industriais como ferro e aço, plásticos, produtos químicos, máquinas e medicamentos terão tarifas reduzidas a zero. A expectativa da UE é que suas exportações para a Índia dobrem até 2032, gerando uma economia de cerca de €4 bilhões por ano para empresas europeias.
Em troca, a Índia terá acesso facilitado ao mercado europeu para produtos como têxteis, pedras preciosas, joias e medicamentos. O país também concordou em reduzir tarifas sobre automóveis, que hoje chegam a 110%, para 10% ao longo de cinco anos, beneficiando montadoras europeias como Volkswagen, BMW, Mercedes-Benz e Renault.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, celebrou o acordo e afirmou que ele representa uma grande oportunidade para 1,4 bilhão de indianos, além de milhões de europeus. Segundo ele, o tratado é um exemplo de cooperação entre duas das maiores economias do planeta.
O acordo também tem forte peso geopolítico. Tanto a UE quanto a Índia vêm sendo afetadas por políticas comerciais agressivas dos Estados Unidos, que impuseram tarifas elevadas sobre produtos europeus e indianos nos últimos anos. Diante desse cenário, os dois lados decidiram fortalecer suas relações econômicas e reduzir a dependência de parceiros instáveis.
Além do comércio, UE e Índia anunciaram outros acordos paralelos, incluindo um pacto de segurança para cooperação marítima, combate ao terrorismo e ameaças híbridas, além de um acordo de mobilidade laboral para jovens profissionais e trabalhadores sazonais. Também estão previstas negociações para integrar a Índia ao programa europeu de pesquisa Horizon.
Antes de entrar em vigor, o tratado ainda precisa ser ratificado pelos países-membros da União Europeia, pelo Parlamento Europeu e pelo governo indiano.
Analistas avaliam que o acordo marca um novo capítulo nas relações entre UE e Índia, reforçando a aposta em comércio aberto, regras internacionais e cooperação estratégica em um mundo cada vez mais instável.