A cerimónia de lançamento do livro foi marcada com várias conversas de final da tarde entre o autor e a poetisa Elisângela Rita, o realizador Fradique, o fotógrafo Ngoi Salucombo, o consultor de comunicação César da Silveira e o público. À semelhança de outras obras de Ondjaki, a acção de "O Livro do Deslembramento” localiza-se em Luanda no período em que, após os acordos de Bicesse, a guerra civil parou, e houve eleições em Angola pela primeira vez. Mas em pouco tempo reacende-se a guerra civil.
Como diz o narrador, "aquela guerra que nunca ninguém nos apresentou ou explicou, a guerra que sempre tinha ‘andado lá longe’ sem nos ameaçar assim nas ruas da nossa cidade, no nosso mar, nas nossas praias, nas nossas famílias”. É essa Luanda que nos é aqui apresentada pelos olhos de uma criança. Essa Luanda em que "uma pessoa não sabe passar um dia só sem inventar uma estória”.
E as histórias seguem-se, numa estudada circularidade, até à última página. Mas aqui chegados tudo muda. Aquele mundo, vivido como uma história de encantar, tem debaixo de si um vulcão prestes a explodir. "O Livro do Deslembramento” é certamente uma das mais belas obras de autoficção da literatura em língua portuguesa. E Ondjaki, neste ano de 2020 em que passam precisamente 20 anos sobre a publicação do seu primeiro livro, dá-nos agora um dos seus melhores romances.
Ondjaki esteve, sábado, na biblioteca "10Padronizada”, onde fez o primeiro lançamento da obra "O livro do deslembramento”, na presença da organização da Biblioteca Comunitária e o público que se deslocou para desfrutar do preço especial que a Kacimbo praticou.
Editora Kacimbo
A Kacimbo apresenta-se como uma festa de palavras, uma editora que pretende trabalhar primeiro com autores africanos e, ainda, com (todas) as "geografias da língua portuguesa”. "Daremos prioridade aos autores angolanos, à colaboração com editoras a autores africanos, aos países que mais dialogam connosco culturalmente, mas em busca de novas pontes com a vizinhança do nosso país”, refere a editora em comunicado.