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Humanismo e totalidade sensorial em Albino da Conceição

Humanismo e totalidade sensorial em Albino da Conceição

Jornal de Angola | 2020-09-15 07:00:52 | Arte & Cultura | 392
Dividido entre o exercício da política e a prática artística, Albino da Conceição vem se impondo no universo das artes plásticas angolanas, através de um activismo cultural que passa pela transfiguração para a tela das suas preocupações subjectivas, ao nível da história cultural e política de Angola, contemplação da natureza, rostos, ambientes da angolanidade, conflitualidades sociais, e, mais recentemente, o artista empreendeu uma reflexão pictórica e humanista sobre os efeitos demolidores da pandemia.

As mutações sociais e seus efeitos têm sido o mote das preocupações de Albino da Conceição, desde o início da sua carreira artística. Na verdade, embora tenha começado a edificar os seus primeiros “borrões” aos nove anos de idade, influenciado pela sua professora de desenho, Luísa Romualdo, as primeiras incursões artísticas de Albino da Conceição já assinalavam, em 2015, os sinais do simbolismo da guerra, numa clara preocupação com os destinos políticos e estabilidade social do seu país.

O poema, “Meus borrões”, escrito pelo artista por ocasião da exposição, “Meu eu e as vozes das minhas cores”, em 2018, anuncia o primado do seu próprio conceito crítico e motivação filosófica subjacente à sua obra, “Não dialogo com as minhas cores/Misturo-me com elas e fazemos borrões que se/ harmonizam nas telas// Não dialogo com as cores//Pinto-me nelas e sou o começo do traço// Sou a marca// O borrão// Sou também pintura que escreve sentimentos/que acordam comigo e retomam imagens saídas/por aí// As cores dizem-me coisas sem voz, que eu oiço/no acariciar do lençol que se ergue perante/mim e coloco meus borrões para em vossos/olhos construir e descrever imagens que estão/por aí// Imagens que podem ser essas//Podem ser outras em qualquer sítio e saídas de/ outros sonhos//saídas de outras mãos que a criaram. Neste poema, Albino da Conceição integra as cores na sua própria personalidade, constituindo os “borrões”a sua marca de eleição na vertiginosidade do seu processo criativo. Os “borrões” são uma forma modesta do autor considerar a insipiência da sua obra, eivada de nobres sentimentos, estabelecendo sempre uma relação de diálogo e intimidade, com quem vê a obra. As cores não têm voz, contudo quando tomam forma na tela podem representar várias vozes e contextos temáticos escolhidos pelo artista.

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