Nascido na cidade de M’banza Kongo, província do Zaire, o cantor, galardoado com o prémio de New Artist of the Year nos World Music Awards em 1999, estava em tratamentos oncológicos há um ano, refere a tutela angolana.
Em 2018, o músico foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais importante distinção do Estado angolano nesta área.
Apresentando-se com uma sonoridade que o próprio definia como “afro-luso-atlântica”, Waldemar Bastos foi também o único não fadista a cantar na cerimónia de transladação, no Panteão Nacional, em Lisboa, do corpo de Amália Rodrigues, de quem era amigo.
Diante deste triste acontecimento, que nos choca a todos como angolanos, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, em nota de condolências, reconhece que a cultura angolana não só fica mais pobre, como perde uma das suas mais importantes vozes da word music.
“Igualmente, nesta hora de luto e de dor, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente curva-se perante a emblemática figura de Waldemar Bastos e apresenta à família enlutada as mais sentidas condolências”, lê-se na nota.
O Departamento ministerial refere, ainda, que foi com profunda dor e consternação que tomou conhecimento da morte do cantor e compositor Waldemar Bastos, numa das unidades de saúde em Lisboa (Portugal), vítima de cancro.
Waldemar dos Santos Alonso de Almeida Bastos, conhecido simplesmente como “Waldemar Bastos”, nasceu em M’banza Kongo, a 4 de Janeiro de 1954.
Com 28 anos, foi para Portugal, onde se instalou e deu sequência ao seu trabalho artístico. De lá conseguiu entrar em outros mercados europeus.
Waldemar Bastos considerava a sua música um reflexo da própria vida e das suas experiências, tendo manifestado várias vezes a sua preocupação com a temática da identidade nacional. A sua obra era universalmente conhecida por se traduzir num apelo genuíno à fraternidade universal.
Ao longo de 40 anos de carreira, Waldemar Bastos foi distinguido com vários prémios nacionais e internacionais. O disco “Preta Luz”, lançado em 1998, foi considerado pelo jornal norte-americano New York Times como um dos melhores da década de 1990 e foi referenciado por Tom Moon como um dos discos que temos de ouvir antes de morrer.
O malogrado tem no mercado discográfico, entre outros, os álbuns “Estamos Juntos” (EMI Records Ltd), “Angola Minha Namorada” (EMI Portugal), “Pitanga Madura” (EMI Portugal), “Pretaluz” [blacklight] (Luaka Bop), “Renascence” (World Connection), “Love Is Blindness” (2008), e “Classics of my soul” (2012).