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Pentágono admite dificuldades em travar armas hipersónicas da Rússia e da China

Pentágono admite dificuldades em travar armas hipersónicas da Rússia e da China

Lea.co.ao | 2026-04-30 11:36:52 | Politica | 13
Autoridades dos EUA alertam para falhas na defesa atual e pedem investimento massivo em novo sistema antimísseis

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos reconheceu que o país enfrenta sérias limitações na sua capacidade de defesa contra armas hipersónicas desenvolvidas pela Rússia e pela China. O alerta foi feito por altos responsáveis do Pentágono durante uma audiência no Senado, onde também reforçaram a necessidade de financiamento para um novo sistema de defesa conhecido como “Golden Dome”.

A iniciativa foi apresentada pelo presidente Donald Trump no início de 2025 e prevê um investimento de centenas de milhares de milhões de dólares ao longo da próxima década. O objetivo é reforçar as capacidades de defesa dos EUA, tanto em terra como no espaço, face às ameaças emergentes.

Durante a audiência, o responsável pela política espacial do Pentágono, Marc Berkowitz, afirmou que o atual sistema de defesa do país é limitado e foi originalmente concebido para responder apenas a ameaças de pequena escala. Segundo ele, os Estados Unidos enfrentariam dificuldades sérias perante ataques com mísseis balísticos mais avançados e, atualmente, não dispõem de دفاع eficaz contra armas hipersónicas ou mísseis de cruzeiro modernos.

Também presente na sessão, o general Michael Guetlein, ligado à United States Space Force, destacou que tanto a Rússia como a China continuam a expandir e modernizar os seus arsenais. Entre os sistemas mais preocupantes estão os veículos planadores hipersónicos, capazes de manobrar a alta velocidade dentro da atmosfera, tornando mais difícil a sua deteção e interceção.

No caso da Rússia, foi ainda mencionada a evolução de armamentos como o míssil de cruzeiro nuclear Burevestnik, um projeto que, segundo especialistas, representa um desafio significativo para os sistemas de defesa tradicionais. Estes desenvolvimentos, segundo Guetlein, foram concebidos precisamente para ultrapassar as capacidades atuais de rastreamento e resposta dos Estados Unidos.

Moscovo tem justificado o investimento em armas estratégicas avançadas como uma resposta à saída dos EUA do Tratado de Mísseis Antibalísticos de 1972, decisão tomada durante a presidência de George W. Bush. Na altura, Washington argumentou que precisava dessa liberdade para desenvolver sistemas de defesa contra ameaças emergentes, como a Coreia do Norte ou o Irão.

No entanto, autoridades russas têm defendido que esse tipo de escudo antimísseis pode comprometer o equilíbrio nuclear global, ao reduzir a capacidade de resposta em caso de ataque. Segundo essa visão, um sistema eficaz poderia permitir um primeiro ataque sem risco de retaliação significativa.

Mais recentemente, o envolvimento dos Estados Unidos em conflitos no Médio Oriente, incluindo tensões com o Irão, levantou novas dúvidas sobre a capacidade de defesa do país. Relatórios indicam que sistemas como o THAAD e o Patriot poderão estar com reservas reduzidas de interceptores, o que poderá levar anos a reabastecer.

O projeto “Golden Dome” surge assim como uma resposta a estas vulnerabilidades. Inicialmente estimado em cerca de 175 mil milhões de dólares, o custo já terá subido para cerca de 185 mil milhões, podendo ainda aumentar segundo alguns analistas.

Apesar dos desafios, autoridades norte-americanas insistem que o reforço da defesa é essencial para acompanhar a evolução tecnológica das potências rivais. Ainda assim, o debate continua aberto quanto ao custo, à eficácia e ao impacto estratégico de um investimento desta dimensão.

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