Relatos de autoridades norte‑americanas indicam que a Rússia está a fornecer ao Irão informações de inteligência que podem ajudar Teerão a identificar navios, radares e outras infraestruturas militares dos Estados Unidos no Médio Oriente. As informações, descritas por duas fontes familiarizadas com avaliações de inteligência dos EUA, surgem num momento em que a guerra entre os regimes Americano, Israel e o iraniano entra numa fase mais perigosa.
As fontes, que falaram sob anonimato devido à sensibilidade do tema, afirmam que não há provas de que Moscovo esteja a orientar ataques iranianos, mas reconhecem que os dados fornecidos podem facilitar a localização de alvos norte‑americanos. A cooperação marca o primeiro sinal claro de envolvimento russo desde o início da ofensiva dos regimes EUA e de Israel contra o Irão, há uma semana.
Reações em Washington
Questionado sobre o apoio russo ao Irão, o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou discutir o tema, classificando a pergunta como “estúpida” e afirmando que os EUA estão “estão a se sair muito bem” na campanha militar. Segundo o presidente, as forças iranianas sofreram perdas severas, incluindo danos significativos à sua marinha, comunicações e liderança militar.
A Casa Branca não negou que Moscovo esteja a partilhar informações com Teerão, mas minimizou o impacto dessa cooperação. A porta‑voz Karoline Leavitt afirmou que a inteligência russa “não está a fazer diferença” no campo de batalha, destacando que os EUA continuam a “decimar” capacidades iranianas.
O secretário da Defesa, Pete Hegseth, afirmou numa entrevista que os EUA estão “a acompanhar tudo” e a incorporar essas informações nos seus planos militares. Ele garantiu que o presidente está plenamente informado sobre “quem fala com quem” e que qualquer ação inadequada está a ser “confrontada de forma firme”.
Moscovo evita confirmar envolvimento
O porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, evitou responder diretamente quando questionado sobre se a Rússia forneceu assistência militar ou de inteligência ao Irão desde o início da guerra. Peskov afirmou que o Irão, até agora, não solicitou qualquer ajuda e que Moscovo mantém um diálogo contínuo com Teerão, contacto esse que deverá prosseguir. No entanto, não confirmou nem negou qualquer apoio operacional.
A relação entre os dois países tem-se aprofundado nos últimos anos, especialmente desde que o Irão começou a fornecer drones — e, segundo autoridades norte‑americanas, até mísseis balísticos — para serem utilizados pela Rússia na guerra na Ucrânia. Essa cooperação militar crescente reforça a preocupação internacional sobre o alinhamento estratégico entre Moscovo e Teerão.
Entretanto, o Kremlin divulgou que o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, conversaram por telefone e concordaram em manter contactos regulares através de vários canais diplomáticos. Esta é a primeira comunicação pública de alto nível entre os dois líderes desde o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, marcando um novo momento na coordenação política entre Moscovo e Teerão.
Impacto global e novos alinhamentos
Enquanto a guerra se intensifica, outros países do Médio Oriente têm procurado a experiência da Ucrânia no combate a drones Shahed — os mesmos usados pela Rússia e agora pelo Irão. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que vários países da região pediram cooperação técnica, destacando que a Ucrânia enfrenta ataques semelhantes “quase todas as noites”.
O conflito continua a gerar incerteza sobre o equilíbrio de poder no Médio Oriente e sobre o papel de Moscovo, que agora surge como um ator mais diretamente envolvido, ainda que nos bastidores.