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Rússia fornece inteligência ao Irão sobre posições dos EUA no Médio Oriente, dizem fontes americanas

Rússia fornece inteligência ao Irão sobre posições dos EUA no Médio Oriente, dizem fontes americanas

Lea.co.ao | 2026-03-07 12:31:53 | Politica | 119
Informações partilhadas por Moscovo podem ajudar Teerão a localizar navios, radares e bases norte‑americanas enquanto a guerra na região se intensifica

Relatos de autoridades norte‑americanas indicam que a Rússia está a fornecer ao Irão informações de inteligência que podem ajudar Teerão a identificar navios, radares e outras infraestruturas militares dos Estados Unidos no Médio Oriente. As informações, descritas por duas fontes familiarizadas com avaliações de inteligência dos EUA, surgem num momento em que a guerra entre os regimes Americano, Israel e o iraniano entra numa fase mais perigosa.

As fontes, que falaram sob anonimato devido à sensibilidade do tema, afirmam que não há provas de que Moscovo esteja a orientar ataques iranianos, mas reconhecem que os dados fornecidos podem facilitar a localização de alvos norte‑americanos. A cooperação marca o primeiro sinal claro de envolvimento russo desde o início da ofensiva dos regimes EUA e de Israel contra o Irão, há uma semana.

Reações em Washington
Questionado sobre o apoio russo ao Irão, o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou discutir o tema, classificando a pergunta como “estúpida” e afirmando que os EUA estão “estão a se sair muito bem” na campanha militar. Segundo o presidente, as forças iranianas sofreram perdas severas, incluindo danos significativos à sua marinha, comunicações e liderança militar.

A Casa Branca não negou que Moscovo esteja a partilhar informações com Teerão, mas minimizou o impacto dessa cooperação. A porta‑voz Karoline Leavitt afirmou que a inteligência russa “não está a fazer diferença” no campo de batalha, destacando que os EUA continuam a “decimar” capacidades iranianas.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, afirmou numa entrevista que os EUA estão “a acompanhar tudo” e a incorporar essas informações nos seus planos militares. Ele garantiu que o presidente está plenamente informado sobre “quem fala com quem” e que qualquer ação inadequada está a ser “confrontada de forma firme”.

Moscovo evita confirmar envolvimento
O porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, evitou responder diretamente quando questionado sobre se a Rússia forneceu assistência militar ou de inteligência ao Irão desde o início da guerra. Peskov afirmou que o Irão, até agora, não solicitou qualquer ajuda e que Moscovo mantém um diálogo contínuo com Teerão, contacto esse que deverá prosseguir. No entanto, não confirmou nem negou qualquer apoio operacional.

A relação entre os dois países tem-se aprofundado nos últimos anos, especialmente desde que o Irão começou a fornecer drones — e, segundo autoridades norte‑americanas, até mísseis balísticos — para serem utilizados pela Rússia na guerra na Ucrânia. Essa cooperação militar crescente reforça a preocupação internacional sobre o alinhamento estratégico entre Moscovo e Teerão.

Entretanto, o Kremlin divulgou que o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, conversaram por telefone e concordaram em manter contactos regulares através de vários canais diplomáticos. Esta é a primeira comunicação pública de alto nível entre os dois líderes desde o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, marcando um novo momento na coordenação política entre Moscovo e Teerão.

Impacto global e novos alinhamentos
Enquanto a guerra se intensifica, outros países do Médio Oriente têm procurado a experiência da Ucrânia no combate a drones Shahed — os mesmos usados pela Rússia e agora pelo Irão. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que vários países da região pediram cooperação técnica, destacando que a Ucrânia enfrenta ataques semelhantes “quase todas as noites”.

O conflito continua a gerar incerteza sobre o equilíbrio de poder no Médio Oriente e sobre o papel de Moscovo, que agora surge como um ator mais diretamente envolvido, ainda que nos bastidores.

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