O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, lançou esta quinta-feira um duro ataque ao antigo embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, pedindo desculpa publicamente por ter acreditado nas suas explicações antes de o nomear para o cargo, em dezembro de 2024. A declaração surge na sequência da divulgação de novos documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein, que expuseram a profundidade das relações entre Mandelson e o financista condenado por crimes sexuais.
Starmer enfrenta forte pressão política, inclusive dentro do seu próprio Partido Trabalhista, devido à nomeação de Mandelson, apesar de já serem conhecidas as suas ligações a Epstein. Os documentos agora tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sugerem contactos frequentes entre ambos e levantam suspeitas de eventual partilha de documentos governamentais e registos de pagamentos a Mandelson ou ao seu então parceiro.
Na abertura de um discurso no sul da Inglaterra, Starmer afirmou que, embora fosse conhecido que Mandelson conhecia Epstein, a dimensão e a gravidade dessa relação não eram claras. “Fui enganado. Fui mentido”, declarou, acrescentando que compreende e partilha a indignação dos deputados trabalhistas. Dirigindo-se às vítimas de Epstein, o primeiro-ministro pediu desculpa por ter acreditado nas declarações de Mandelson e por o ter nomeado para um cargo de elevada responsabilidade.
Peter Mandelson, que já tinha exercido funções governativas em anteriores governos trabalhistas, renunciou esta semana ao seu lugar na Câmara dos Lordes e encontra-se agora sob investigação policial por alegada conduta imprópria no exercício de funções públicas.
As revelações fazem parte de mais de três milhões de documentos divulgados recentemente pelas autoridades norte-americanas sobre o caso Epstein, cuja divulgação tem sido alvo de críticas devido a falhas na ocultação de dados sensíveis de vítimas. Sobreviventes acusam o Departamento de Justiça de má gestão do processo, o que reacendeu o debate sobre transparência e justiça.
A polémica ameaça agravar a posição política de Starmer, já fragilizada por baixos índices de popularidade. Analistas referem que o caso levanta sérias questões sobre o seu julgamento político, enquanto os mercados reagiram com nervosismo, refletido no aumento dos custos de financiamento do governo britânico.