A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos informaram publicamente que não permitirão o uso de seus territórios ou espaços aéreos para qualquer ação militar dos Estados Unidos contra o Irã. A decisão representa um obstáculo importante aos planos de Washington em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, comunicou diretamente ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que o reino não autorizará operações militares contra o Irã a partir de seu território. Um dia antes, os Emirados Árabes Unidos fizeram declaração semelhante, afirmando que não fornecerão apoio logístico nem servirão como base para ações hostis contra Teerã.
As recusas são significativas porque ambos os países abrigam grandes contingentes militares dos EUA. A Arábia Saudita mantém mais de 2.300 soldados americanos, enquanto cerca de 5.000 militares dos EUA estão estacionados na base aérea de Al Dhafra, nos Emirados.
Mesmo diante das restrições, o presidente Donald Trump intensificou o tom. Em publicações nas redes sociais, ele afirmou que uma “bela armada” está se deslocando rapidamente em direção ao Irã e alertou que o tempo para um acordo sobre o programa nuclear iraniano está se esgotando.
“Façam um acordo. Da última vez que não fizeram, houve uma grande destruição. O próximo ataque será muito pior”, escreveu Trump, afirmando que as forças americanas estão prontas para agir “com velocidade e violência, se necessário”.
Nos últimos dias, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região, enviando o porta-aviões USS Abraham Lincoln, destróieres equipados com mísseis guiados, caças adicionais e sistemas de defesa aérea. Exercícios militares de grande escala também foram iniciados em vários pontos do Oriente Médio.
O Irã respondeu com ameaças diretas. Autoridades iranianas alertaram que qualquer país que facilite um ataque será tratado como inimigo. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, declarou que o país está “200% preparado para se defender” e prometeu uma resposta “imediata e sem precedentes” em caso de agressão.
Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, cerca de 30 mil militares americanos estão atualmente dentro do alcance de mísseis e drones iranianos. Ele afirmou que o governo mantém a opção de ataques preventivos caso haja indícios de ameaças diretas às tropas americanas.
Enquanto isso, países do Golfo e a Turquia tentam atuar como mediadores para evitar um conflito aberto. O governo iraniano, porém, reforçou que não aceitará negociações sob pressão ou ameaças militares.
O cenário aumenta o risco de uma nova crise regional, com aliados tradicionais dos EUA buscando distância de uma guerra que pode ter consequências imprevisíveis para todo o Oriente Médio.