Nascida em Luanda no dia 14 de maio de 1980, Margareth do Rosário é uma das vozes mais marcantes da música angolana. Sua jornada na arte começou em 1998, no programa Gala à Sexta-feira, da Televisão Pública de Angola (TPA), que revelava novos talentos musicais. Desde então, Margareth conquistou seu espaço com dedicação, talento e paixão pela música.
Artista multifacetada, Margareth fez parte do grupo Melomanias, ao lado de nomes como Yola Araújo, Djamila e Nazarina Semedo. Posteriormente, seguiu carreira solo e lançou álbuns emblemáticos como Love One (2003), Amor Profundo e Em Nova Dimensão (2008). Este último foi particularmente marcante para a cantora, que destacou como um divisor de águas em sua vida artística por ter representado um grande amadurecimento pessoal e profissional.
Margareth é autora de sucessos como Temperatura, Amor Sincero, Tudo para Mim e Saudades. Ela também se destacou pelo hit Manazinha e participou da coletânea Mulher, que celebra as vozes femininas na preservação da cultura nacional. Suas canções intemporais refletem sua preocupação com a qualidade da música, evidenciada por sua declaração: “O segredo é a qualidade. Quando se trabalha e se investe, é preciso ter qualidade no produto.”
Além de seu trabalho no Semba, Margareth é reconhecida pelo seu papel na preservação e elevação desse estilo musical como patrimônio cultural nacional. Em uma brincadeira durante a gravação de seu primeiro Semba, recebeu elogios sinceros do grande Bonga Kwenda, que a chamou de promissora ao ponto de "tirar o lugar dos kotas". Margareth reconheceu também as contribuições de ícones como Zé Fininho, Zé Keno e Lourdes Van-Dúnem para sua trajetória no Semba, bem como o impacto dos carnavais na criação de ritmos como a kazucuta e a evolução para gêneros modernos como o kuduro.
Como mulher à frente do seu tempo, Margareth lamenta a falta de mulheres no Semba e insiste que cantar esse estilo musical não diminui a vaidade ou feminilidade de ninguém. Pelo contrário, o Semba enaltece as raízes culturais de Angola e representa uma parte essencial da identidade nacional. Margareth acredita que “o Semba nos identifica” e deve ser celebrado em um pedestal digno de sua importância.
Além do seu sucesso na música, Margareth é mãe de dois filhos, Marcos António e Carolina, frutos de dois casamentos. Ela é carinhosamente conhecida como "Gueth" no seio familiar e equilibra sua vida artística com o cuidado com a família, enfatizando que “só amor não é suficiente; é preciso foco e disciplina para alcançar objetivos e manter a harmonia na vida pessoal e profissional.”
Margareth do Rosário continua sendo um ícone da música angolana, incentivando o consumo de música nacional e mostrando que a arte, quando feita com paixão e autenticidade, pode transformar corações e preservar a cultura. Sua jornada é uma prova viva de que a disciplina e a dedicação são pilares para construir um legado atemporal.