Kiluanji Kia Henda (nascido em 1979, Luanda, Angola) é um artista visual angolano autodidata cuja prática multidisciplinar explora temas de identidade, política e as percepções do pós-colonialismo e modernismo em África. Vivendo e trabalhando entre Luanda e Lisboa, Kia Henda utiliza fotografia, vídeo, performance, instalação e escultura-objeto para criar narrativas ficcionais que deslocam factos históricos para diferentes temporalidades, frequentemente empregando humor e ironia para desafiar a memória coletiva e legados históricos.
Infância e Influências
Nascido em Luanda em 1979, quatro anos após a independência de Angola de Portugal, Kia Henda cresceu durante a guerra civil do país (1975–2002), um período que moldou profundamente sua visão de mundo. Criado numa família politicamente engajada e apaixonada por fotografia, ele foi exposto desde cedo ao poder da narrativa visual. Sua mentoria com o renomado fotógrafo John Liebenberg, que documentou a guerra civil angolana, foi fundamental para ensiná-lo como as imagens podem transmitir histórias não contadas. Além disso, seu envolvimento com música, teatro de vanguarda e colaborações com artistas emergentes na vibrante cena artística de Luanda aprimoraram sua abordagem conceitual.
Prática Artística
O trabalho de Kia Henda caracteriza-se pela flexibilidade conceitual, permitindo que a ideia determine o meio — seja fotografia, vídeo, performance ou instalação. Ele manipula espaços e estruturas públicas para interrogar a memória coletiva, muitas vezes recontextualizando narrativas históricas com uma lente crítica e humorística. Obras notáveis incluem Poderosa de Bom Jesus (2008) e Homem Novo (2012), que exemplificam sua capacidade de tecer comentários sociopolíticos complexos em arte visualmente impactante.
Sua prática tem sido exibida em prestigiadas exposições internacionais, incluindo a 1ª Trienal de Luanda (2007), o Pavilhão Africano na Bienal de Veneza (2007), a 29ª Bienal de São Paulo (2010) e a Trienal do New Museum (2015). Em 2020, realizou sua primeira exposição individual numa grande instituição europeia, no MAN Museo d’Arte Provincia di Nuoro, na Itália. Seu trabalho faz parte da coleção da Tate Modern em Londres, adquirido em 2019, e foi destaque em grandes exposições como Making Africa: A Continent of Contemporary Design e The Divine Comedy: Heaven, Hell, Purgatory revisited by Contemporary African Artists.
Reconhecimento e Residências
As contribuições de Kia Henda para a arte contemporânea renderam-lhe importantes reconhecimentos, incluindo o Prémio Nacional da Cultura e Artes do Ministério da Cultura de Angola em 2012 e o Frieze Artist Award em Londres em 2017. Ele participou em residências artísticas em cidades como Veneza, Cidade do Cabo, Paris, Amã e Sharjah, enriquecendo ainda mais sua perspectiva global.
Legado e Trabalho Atual
Com uma carreira que abrange bienais em Veneza, Dakar, São Paulo e Gwangju, e uma presença em grandes instituições, Kia Henda continua a expandir os limites da arte contemporânea africana. Sua habilidade em combinar humor, crítica e técnicas multidisciplinares consolidou sua reputação como uma voz de destaque na exploração de narrativas pós-coloniais e das complexidades da modernidade africana.
| Ano | Premiação | Organizador |
|---|---|---|
| 2012 | Prémio Nacional de Cultura e Artes | Ministério da Cultura de Angola |