Lino Damião nasceu em Luanda, Angola, em 1977. Encorajado pelo pai desde muito cedo, iniciou-se no desenho e na pintura ainda na infância, revelando precocemente vocação artística. Em 1989, recebeu o seu primeiro reconhecimento nacional ao conquistar o Prémio de Pintura da União Nacional de Artistas Plásticos (UNAP), distinção que marcou o início público do seu percurso.
A sua formação artística inclui estudos de Desenho e Pintura no Barracão – Escola Experimental de Luanda, cursos na UNAP, e a formação em Artes Plásticas no Instituto Nacional de Formação Artística (INFAC), entre 1997 e 2000. Frequentou ainda o atelier do mestre Victor Teixeira (Viteix), experiência que contribuiu para o amadurecimento da sua linguagem visual. É membro da UNAP e membro fundador da Cooperativa Pró-Memória dos Nacionalistas.
Lino Damião desenvolve um trabalho multidisciplinar, com foco principal na pintura, mas também na fotografia, gravura e serigrafia. A sua obra articula vivências pessoais, observações do quotidiano e memórias de viagens realizadas entre 2009 e 2017, cruzando referências urbanas, paisagens mentais e experiências sociais. O seu trabalho transita entre a abstração e a exploração cromática expressiva, refletindo temas como identidade, liberdade, memória cultural e o dinamismo das cidades africanas, em particular Luanda.
Ao longo da carreira, participou em numerosas exposições individuais e coletivas em Angola e no exterior. Entre as mais relevantes destacam-se a Primeira Trienal de Luanda (2007), a Feira de Arte Contemporânea de Lisboa (2010), o Festival Literário Rota das Letras, em Macau (2012), e a Bienal de Jovens Criadores da CPLP, no Porto (2000). Realizou exposições individuais como Cores, Cómicos e Contrastes (1999), Manchas e Contornos (2000), Liberdade (2002), Paragens (1998), Kukina – Ligações (2013) e De Lândana ao Virei, exposição que reflete a sua itinerância artística entre diferentes geografias de Angola.
Em Lisboa, manteve uma relação continuada com o Espaço Espelho D’Água, onde participou em exposições coletivas como Commuting: Os da Banda (2016) e Lelu Kizua (2020), apresentando posteriormente a sua primeira exposição individual nesse espaço. As suas obras integram hoje coleções públicas e privadas em África, Europa, Ásia, América do Sul e Estados Unidos.
Paralelamente à prática visual, Lino Damião colabora desde 1992 com a produtora j.j.jazz, em Luanda, na organização de concertos de jazz e exposições de pintura e fotografia, assumindo também um papel ativo na mediação cultural e na dinamização artística.
Atualmente a residir em Lisboa, Lino Damião é reconhecido como uma figura consistente da arte contemporânea angolana, com uma obra que cruza territórios, disciplinas e narrativas, mantendo um diálogo permanente entre experiência pessoal, contexto social e criação artística.