O início da carreira de Moisés Kafala, o mais velho dos Irmãos Kafala, ficou marcado pela sua participação, em 1969, num concurso musical realizado na Escola Primária n.º 147, em Luanda, do qual saiu vencedor. Ainda na mesma década, criou um grupo musical no internato da Missão Católica dos Bângalas. Foi nesse período que compôs “Papá”, tema que mais tarde se tornaria um dos grandes sucessos do duo.
A canção, de forte carga emocional, foi criada em homenagem ao pai de Moisés e José Kafala, morto pelos colonialistas portugueses em 1961. “Papá” foi gravada pela primeira vez em 1979, nos estúdios da Rádio Nacional de Angola, e permanece como um dos momentos mais marcantes da carreira dos Irmãos Kafala.
Em 1976, Moisés Kafala viajou de Luanda para Benguela, onde reencontrou o irmão José e integrou o grupo Shalon, uma pequena formação musical ligada à Igreja Católica. Nesse grupo, Moisés atuava como guitarrista solo e vocalista, enquanto José se dedicava apenas ao canto.
Mais tarde, Moisés foi convidado a integrar o agrupamento 1.º de Agosto, ligado ao Centro de Instrução Rodoviária Militar de Benguela, numa fase em que José Kafala se afastou parcialmente da música.
Moisés Kafala tentou o teatro, em 1980, no Grupo Experimental Primeiro de Maio, como compositor e actor, e representou a peça teatral a “A Praga” de Óscar Ribas. Ainda em 1980, participou no Primeiro Festival Nacional da Canção Política realizado no Huambo, tendo conquistado o primeiro lugar.
Em 1981 começou a internacionalização de Moisés Kafala quando participou, em Berlim, no 12º Festival Internacional da Canção Política. Sobre o facto Moisés lembra nostálgico: “Foi a primeira vez que estive sob uma temperatura de 15graus abaixo de zero. Estava com o falecido Beto Gourgel, Dom Caetano e Zeca Sá… foi um tempo de felicidade, e muita música.”
A expressividade artística dos irmãos Moisés e José Kafala configura uma harmonia vocal cuja história assenta na liturgia religiosa. O pai de Moisés e José cantava, foi pastor e regente de coro da Igreja Protestante, colocado nos Dembos, hoje província do Bengo. Militantes de uma temática textual de feição marcadamente humanista e social, os Irmãos Kafala evocam nas suas canções a dor, o sofrimento, a conflitualidade étnica e amorosa, e a eterna esperança de um mundo melhor.
José Kafala venceu, em 1984, o Primeiro Festival de Artistas Amadores das Forças Armadas, com o tema “Ngui mbalundo” e, em 1985, arrebatou o primeiro lugar do Top dos Mais Queridos da Rádio Nacional de Angola, com o tema “Ó Kudizola Kueto”, gravado depois com o “Amandla”, a banda musical do ANC, “African National Congress” da África do Sul.
A partir de 1985, José Kafala grangeiou um singular prestígio do público e viajou por vários países. Portugal, Bulgária e Alemanha, foram os principais destinos, onde obteve inúmeros aplausos junto da crítica musical local, das quais destacamos uma apreciação crítica da jornalista búlgara Buchaskova. Actualmente, José Kafala segue uma carreira, a solo, fazendo espectáculos, restritos, em apresentações dispersas. No dia 14 de Abril de 1987, dia da Juventude Angolana, aconteceu o reencontro do grupo. O duo brindou o facto com um espectáculo de gala, realizado no cine Karl Marx, e interpretaram, de forma apoteótica, a canção “Ngola”.
Fonte:Jornal de Angola