Manuel Guedes dos Santos Lima nasceu em 28 de janeiro de 1935, na cidade do Cuíto, província do Bié, em Angola. Filho de pai oriundo de São Tomé, Manuel desde cedo se destacou por sua inteligência e dedicação aos estudos, sendo o primeiro classificado no exame do quarto ano escolar. Aos doze anos de idade, partiu para Lisboa, onde concluiu os estudos secundários no Liceu Camões e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1953. Lá, foi colega de figuras como Francisco Sá Carneiro, Jorge Sampaio e Pinto Balsemão.
Durante sua estadia em Lisboa, tornou-se residente da Casa dos Estudantes do Império (CEI), colaborando ativamente na revista Mensagem, espaço que reunia ideias de jovens intelectuais das ex-colônias. Representou Angola no 1.º Congresso Internacional dos Escritores e Artistas Negros em Paris, em 1956, e também no Congresso Afro-Asiático de Escritores, no Cairo, em 1962. Em Paris, colaborou com nomes como Léopold Sédar Senghor e Aimé Césaire na revista Présence Africaine, fortalecendo sua trajetória como intelectual engajado.
Manuel Lima ingressou no exército português, onde se tornou o primeiro oficial negro. Contudo, desertou em Damasco para se juntar à luta pela independência de Angola. Em Beirute, alinhou-se com o movimento nacionalista liderado por Marcelino dos Santos e logo assumiu a liderança do recém-formado Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA), braço armado guerrilheiro do MPLA. Comandou operações entre 1961 e 1963 durante a Guerra de Independência, até se desligar do MPLA por divergências com a liderança de Agostinho Neto.
Durante esse período, enfrentou momentos tensos, incluindo conflitos internos entre membros do EPLA que culminaram em episódios controversos e decisivos. Após se afastar definitivamente do MPLA, seguiu para Brazzaville e mais tarde para a Suíça, onde se doutorou em Literatura Comparada na Universidade de Lausanne. Sua tese abordou a obra de Castro Soromenho, seu amigo pessoal.
Como docente, Manuel Lima lecionou no Canadá, ensinando literatura portuguesa, francesa e espanhola. Também foi professor universitário em Rennes e Nantes (França), Lisboa e Luanda, onde ocupou o cargo de reitor da Universidade Lusíada de Angola. Em 1991, fundou o partido opositor MUDAR — Movimento de Unidade Democrática para a Reconstrução — e foi convidado a concorrer à presidência de Angola em 1992.
Ao longo de sua trajetória literária, publicou obras marcantes como Kissange (1961), As Sementes da Liberdade (1965), As Lágrimas ao Vento (1975), A Pele do Diabo (1977) e Os Anões e os Mendigos (1984). Seus textos abordam temas como identidade, guerra, exílio e liberdade, com forte carga política e filosófica.
Após sua jubilação acadêmica, passou a residir em Portugal, dedicando-se à literatura e à revisão de seus escritos. Faleceu no Hospital do Barreiro, no dia 17 de dezembro de 2024, aos 89 anos. Em nota oficial, o Bureau Político do Comité Central do MPLA lamentou profundamente sua morte, reconhecendo sua contribuição para a história e cultura angolana.