Edgar Simone Tchipóia é um humorista angolano natural da província de Benguela, onde deu os primeiros passos na comédia. No início da sua carreira artística apresentou-se com o nome Tio Kotingo, denominação que mais tarde foi simplificada para Kotingo, nome pelo qual passou a ser amplamente conhecido pelo público. A sua atuação distingue-se pela forma peculiar de estar em palco, pelo humor espontâneo, pelas anedotas inspiradas no quotidiano e por um sotaque característico do sul de Angola, elementos que rapidamente lhe garantiram aceitação popular.
O personagem Kotingo foi inspirado numa figura real que Edgar conheceu ainda em Benguela, um trabalhador da construção civil que prestou serviços à sua família. O modo de falar, o carisma natural e a capacidade de prender a atenção das pessoas marcaram profundamente o humorista, que decidiu reproduzir essas características na construção do seu personagem artístico.
Apesar de desde cedo demonstrar inclinação para o humor, Edgar Tchipóia não planeava seguir uma carreira artística. Durante algum tempo ambicionou tornar-se empresário, mas acabou por enveredar pelo humor após uma atuação informal numa festa de aniversário de um amigo. A reação positiva do público levou à gravação e divulgação dessas apresentações, o que rapidamente resultou nos primeiros convites para atuar em eventos.
As primeiras atuações profissionais ocorreram em Benguela e foram marcadas por timidez, dificuldades financeiras e experiências desafiantes, mas também por uma crescente aceitação do público. Esses fatores levaram-no a aperfeiçoar as suas técnicas e a assumir definitivamente o humor como profissão.
Em 2009, mudou-se para Luanda, onde a sua carreira ganhou maior projeção. Com o apoio dos músicos Cage One e Nicol Ananás, participou no programa “Terça dos Artistas”, apresentado por Yuri Barata. Apesar de alguma apreensão inicial do público, a sua atuação acabou por conquistar a plateia. Um encontro com Benvindo Magalhães abriu-lhe portas para o programa “Tchilar”, consolidando a sua presença no panorama do humor angolano.
Kotingo define o seu trabalho como stand-up comedy, baseado em situações do dia a dia, observações sociais e experiências pessoais, privilegiando a espontaneidade e a ligação direta com o público. Ao longo do percurso, enfrentou várias dificuldades, incluindo episódios de desrespeito profissional, deslocações sem retorno artístico e momentos de exclusão, que considera parte integrante da sua formação humana e artística.
Em 2018, sofreu um grave acidente de viação quando regressava de um espetáculo, do qual resultou a perda do braço esquerdo, após várias cirurgias. Desde então, passou a abordar a sua própria deficiência física em palco, utilizando-a como parte do seu discurso humorístico, reforçando a ideia de que o humor também pode ser um instrumento de superação.
Mesmo após alcançar notoriedade, continuou a lidar com os desafios da exposição pública, encontrando na família o principal suporte emocional. Para além do humor, Kotingo tem expressado preocupações sociais, defendendo valores como a solidariedade, a empatia e o amor ao próximo.
Aconselha a nova geração de humoristas a apostar na originalidade, humildade, união e dedicação, princípios que considera essenciais para uma carreira sólida. Atualmente, Edgar Simone Tchipóia, conhecido artisticamente como Kotingo, é reconhecido como uma das figuras mais marcantes do humor angolano contemporâneo, com um percurso construído com autenticidade, perseverança e forte ligação às suas raízes culturais.